Bom dia!
O que é que queres dizer com percebo que não sou?
Tipo aquilo que falamos, em alguns momentos vivo em confiança total na vida, ausência de controle, percebendo as coisas como são sem ter que dizer que são boas ou ruins etc; enquanto em outros momentos o Arthur quer tomar de conta das coisas quando elas não acontecem do jeito que eu queria, ou se no trabalho está estressante…
O não sou é perceber que essas coisas que acho que sou não existem no momento. Que os pensamentos não estão realmente presentes aqui e agora, que as coisas que eu acho que deveriam ser diferentes como simplesmente como são e eu queria mudá-las para que fosse melhor para mim, mas esse “mim” não é uma real necessidade do momento, mas sim um desejo baseado em experiências prévias.
Acho que quando digo não sou é que eu não sou esse bando de coisa morta (pensamentos, memórias, ideias definidas sobre o Arthur etc), mas que eu sou algo vivo que se atualiza a cada instante de acordo com o que se apresenta para mim e que pode ser parecido com o que eu esperaria que fosse um “padrão Arthur” ou completamente diferente, e que caso seja diferente do que costumo ser, isso não traga nenhum sofrimento, porque eu sou vivo, vida e transformação, não petrificado, morto e definido.
Talvez eu tenha pensado muito para responder e tentar te explicar. Então parei um pouco para olhar ao redor. Conclui que eu não sou “Arthur”, tudo que alguém ou eu penso de mim não é o que sou agora. Arthur é um nome que me foi dado e quaisquer outra qualidade que me alguém me dê baseado no que já fiz também não reflete a minha existência agora no presente. Mas ao observar meu braço e minha mão, olhei o copo de água e pensei que estava com sede e queria beber água, então mexi para pegar a água e beber. Acho que isso é o mais difícil pra eu perceber como realidade, se assim for, que o corpo não é “meu”. Não meu do Arthur, o Arthur eu posso ver claramente que não existe, como o papai-noel, se alguém me chamar de Arthur, eu vou virar e responder, ou se perguntar de algo que aconteceu, eu vou comentar sobre essa memória, mas isso é história e não realidade. Eu não sou isso, assim como o artista responder ao chamarem ele de papai-noel. Mas esse eu que conversa contigo aqui agora, que existe simplesmente, e que eu também não consigo encontrá-lo dentro ou fora do corpo!, mas que parece agir pelo corpo… porque quando notei que estava com sede, agi de maneira a beber água. Olhando para isso, não havia um eu com sede, simplesmente a sede, a percepção dela e a ação de buscar a água para saciar a sede. Concordo com isso! Podemos aceitar que não existia um eu com sede, só a sede. Mas e esse que percebe ela e age?? Aqui que estou agora empacado!
Abraços ;*