Espero que durante o dia-a-dia vás tentando encontrar o eu! Pode ser muito divertido procurar o eu que escolhe o que vestir de manhã, o eu que decide comer batatas fritas, o que que se sente confuso, o eu que fala com os amigos, etc, etc...Aqui estou!!! Não tem sido fácil encontrar tempo para me sentar diante do computador e, deste modo, estar contigo, e reiniciarmos esta viagem de volta a casa (de volta a quem ou a quê?) ou melhor o percurso movido pelo desejo em reconhecer “a verdade” sobre a minha existência ou não. Mas, eis-me aqui e agora, para retomarmos a nossa fantástica conversa.
Compreendo o que queres dizer. Mas se reparares "o eu não existe" é uma crença também :)Até à bem pouco tempo, Sandra, transportava em mim a crença, e tudo era visto a partir dela, de que “não sou um ego, mas aquele que tem consciência disso…seja consciência, presença, ou testemunha…chamemos os nomes que quisermos”, agora impõe-se uma outra realidade – que começo a reconhecer como “A” realidade – a de que, “o eu não existe”…
A realidade é. O resto são crenças!
Exatamente!A questão que se levanta na minha interioridade é que “quero ver, por mim mesmo, que a inexistência do eu é a verdade” (e levanta-se a questão: quem é este eu que quer ver que o eu não existe?) e de modo algum desejo que isto se torne mais um pensamento, ou um sistema de pensamento, no qual acredito mas sem verificação directa. Os jogos da mente são tão subtis e persistentes que, procuram que eu descarte, por assim dizer, a possibilidade de verificar na experiencia imediata e directa a “inexistência do eu”. O pensamento de que “o eu não existe” ao invés de, num primeiro momento, ameaçar – dado que que o seu conteúdo aponta precisamente para a ilusão do eu – procura converter-se numa crença.
Ui! Não estamos a tentar eliminar ou alterar o que quer que seja, mas sim a observar o que é tal como é, aqui e agora. Esperar que o sofrimento desapareça por causa deste inquérito é uma expetativa das grandes (embora eu compreenda o que queres dizer).E não se trata apenas de eliminar o sofrimento, posto que se o eu não existe, o sofrimento será desnecessário (quem ou o quê é que sofre?. O sofrimento só existe porque existe a noção de que “isto é mau” e “isto é bom” e porque há separação entre o pensamento e aquilo que ocorre, surge o eu.
No entanto, custa-me a acreditar nesta evidencia, Sandra. Anos de habito, a acreditar que sou um eu. Custa-me a acreditar que seja, agora, tão evidente.
Ahah! Sim... mas o que é este eu a quem custa a acreditar que um eu não existe aqui e agora? Este eu é mais do que um pensamento a que outros pensamentos dão credibilidade?
Sobre o medo... eu diria que não há razão para ter medo. O que pode começar a acontecer é um desmorronar de um sistema de crenças, ou seja, o que podes "perder" são certezas, são ilusões.
O que está aqui e é real, aqui continuará. O que estou a escrever faz-me lembrar o início do livro "Um curso em milagres" - e não estou a recomendar que leias o livro, mas gosto imenso deste começo:
- "Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus."
Estou a ver que estás a ir à minha frente neste caminho! O que é fantástico!
Mas eu quero que te foques nalguns "sítios" que são de especial interesse, espero que não estejas com pressa!
Quando puderes, senta-te sossegado num sítio calmo e "observa" os pensamentos. Vê o que descobres sobre eles. Aqui estão algumas perguntas para te ajudar a focar:
De onde é que os pensamentos vêm?
Para onde é que vão?
É possível pensar mais do que um pensamento de cada vez?
É possível escolher, controlar os pensamentos?
Um pensamento pensa?
A mente existe?
O pensamento "eu" é o pensador ou é só um pensamento?
Abraço,
S


