Liberação em português

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Donaldson61
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Liberação em português

Postby Donaldson61 » Fri Oct 11, 2024 10:19 pm

LU is focused guiding for seeing there is no real, inherent 'self' - what do you understand by this?
Que o ego é uma ilusão.
What are you looking for at LU?
Mudança de perspectiva diante de mim mesmo, dos outros e do mundo como um todo. Procuro por uma abordagem simples e direta, sem teorização nem especulação, com base na experiência própria, em primeira pessoa.

What do you expect from a guided conversation?
Que o diálogo seja franco, objetivo, mas respeitoso. Que haja empatia e sobretudo compreensão. Que o guia seja suficientemente experiente para fazer apontamentos certeiros. E que eu esteja preparado para segui-los.

What is your experience in terms of spiritual practices, seeking and inquiry?
Experimentei muitas coisas, de yoga à meditação.

On a scale from 1 to 10, how willing are you to question any currently held beliefs about 'self? 10

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Maylson
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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Sun Oct 13, 2024 10:46 pm

Boa noite, Donaldson61, tudo bem? Seja bem-vindo ao LU.


Sou May, e serei o seu guia!


''Mudança de perspectiva diante de mim mesmo, dos outros e do mundo como um todo. Procuro por uma abordagem simples e direta, sem teorização nem especulação, com base na experiência própria, em primeira pessoa.''


O papel do guia (diferentemente de um professor que tem um conteúdo a ensinar) é de auxiliá-lo na sua jornada, com perguntas que o faça, através de sua própria experiência direta, atravessar a ilusão de que existe um ''EU'' autocentrado que controla o que aparentemente acontece no que chamamos de realidade/existência. Esse diálogo visa identificar e questionar as ''crenças e verdades'' que possivelmente são o alicerce da ideia que tens um ''EU'' separado. Uma vez que você perceber que esse ''EU'' não existe, sua perspectiva muda em relação a tudo.


Experimentei muitas coisas, de yoga à meditação.
Fale um pouco mais sobre sua trajetória, o que sente que está buscando em sua jornada? Onde deseja chegar com essa busca? Durante sua história de vida, ja sentiu algum indício de que ''EU'' não existe? Se sim, conte-me como foi.



Peço-te que respondas diariamente, ou sempre que possível. Se precisar se ausentar por mais tempo avisa-me com antecedência.



Um abraço!



May,
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Donaldson61
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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Mon Oct 14, 2024 4:33 pm

<Boa noite, Donaldson61, tudo bem? Seja bem-vindo ao LU.

Olá, tudo bem, obrigado!

<Sou May, e serei o seu guia!

Você é português/a ou brasileiro/a? Muito obrigado pela disponibilidade.

<O papel do guia (diferentemente de um professor que tem um conteúdo a ensinar) é de auxiliá-lo na sua jornada, com perguntas que o faça, através de sua própria experiência direta, atravessar a ilusão de que existe um ''EU'' autocentrado que controla o que aparentemente acontece no que chamamos de realidade/existência. Esse diálogo visa identificar e questionar as ''crenças e verdades'' que possivelmente são o alicerce da ideia que tens um ''EU'' separado. Uma vez que você perceber que esse ''EU'' não existe, sua perspectiva muda em relação a tudo.

Sim, ok.

<Fale um pouco mais sobre sua trajetória, o que sente que está buscando em sua jornada? Onde deseja chegar com essa busca? Durante sua história de vida, ja sentiu algum indício de que ''EU'' não existe? Se sim, conte-me como foi.

Tenho 62 anos, e comecei a "busca" por volta dos 14 anos. Li muita coisa, pratiquei alguma, viajei... e, embora menos ansioso, continuo "buscando".
Não pretendo mais chegar a nenhum lugar, e sim "voltar pra casa", ao estado natural.
Sim, tive alguns indícios de que o ego é uma ficção, durante a meditação, o relaxamento profundo, fazendo um ou outro exercício, coisas assim. Um sentimento de leveza e de alegria. Na verdade, eu ri de mim mesmo e de toda a situação.

<Peço-te que respondas diariamente, ou sempre que possível. Se precisar se ausentar por mais tempo avisa-me com antecedência.
Um abraço!

Ok, abraço!

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Tue Oct 15, 2024 5:07 pm

Olá, Donaldson61, tudo bem contigo?

Você é português/a ou brasileiro/a? Muito obrigado pela disponibilidade.
Falo do Brasil (GMT –3).
Tenho 62 anos, e comecei a "busca" por volta dos 14 anos. Li muita coisa, pratiquei alguma, viajei... e, embora menos ansioso, continuo "buscando".
Interessante sua história! Imagino que todos os 'buscadores’ sintam ansiedade em alguma medida. Observe que dentro desse cenário de 'busca’, nos desconectamos da realidade presente, por buscar algo que imaginamos estar fora de nosso alcance.

Não pretendo mais chegar a nenhum lugar, e sim "voltar pra casa", ao estado natural.
O que te faz achar que ainda não está em 'casa’?
Como imagina ser o seu ‘estado natural’?
O que difere o seu estado ‘agora’ em relação ao ‘estado natural’ que deseja alcançar?
Ao investigar essas questões acima, quais as sensações que surgem? Com as descreveria?

Consegue investigar isso (tome o tempo necessário) e me responder de maneira detalhada sua percepção?

Abraços, May!
May.

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― Jiddu Krishnamurti

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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Wed Oct 16, 2024 2:37 pm

Olá May,

O que te faz achar que ainda não está em 'casa’?
Como imagina ser o seu ‘estado natural’?
O que difere o seu estado ‘agora’ em relação ao ‘estado natural’ que deseja alcançar?
Ao investigar essas questões acima, quais as sensações que surgem? Com as descreveria?
Consegue investigar isso (tome o tempo necessário) e me responder de maneira detalhada sua percepção?
"Buscar" e "voltar para casa" são metáforas. O que não existe não pode, evidentemente, fazer nada; não vai a lugar nenhum, nem, portanto, volta.
Quando nascemos, estamos em nosso estado natural: não surgiu ainda a ficção de um ego separado, e, portanto, ainda não nos sentimos separados do mundo.
Parece-me que os mitos do paraíso perdido e do filho pródigo, entre outros, referem-se a esse (não) acontecimento (da separação).
Intelectualmente sei disso tudo, e ocasionalmente tive um vislumbre de como é viver sem a ilusão de um centro egoico.
Enfim, não me agrada viver como se não soubesse disso.

Obrigado,
D.

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Fri Oct 18, 2024 2:09 am

Oi Donaldson! Tudo bem?

''Intelectualmente sei disso tudo, e ocasionalmente tive um vislumbre de como é viver sem a ilusão de um centro egoico.
Então entende que esse saber intelectual pertence ao campo mental, na memória, que se manifesta no pensamento? Na nossa conversa vamos focar em examinar tudo o que está acontecendo na sua experiência direta, no presente momento.


Enfim, não me agrada viver como se não soubesse disso.''
Como você me descreveria esse EU que não se agrada?
Quem é esse ''Eu'' que você chama de Donaldson?
Quais as sensações que surgem quando faz essa investigação?



Lembrando, tome tempo para observar o que acontece ao fazer essa investigação na sua experiência direta.

Um abraço,
May.
May.

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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Fri Oct 18, 2024 2:22 pm

Oi May,

Code: Select all

Então entende que esse saber intelectual pertence ao campo mental, na memória, que se manifesta no pensamento? Na nossa conversa vamos focar em examinar tudo o que está acontecendo na sua experiência direta, no presente momento.
Experiência direta, sem pensamento? O máximo que consigo é considerar os pensamentos (sentimentos, volições etc.) como objetos.
Como você me descreveria esse EU que não se agrada? Quem é esse ''Eu'' que você chama de Donaldson? Quais as sensações que surgem quando faz essa investigação?
Posso examinar o ego chamado D. como se fosse um objeto. O que implica que houve então uma cisão em mim, que me dividi em sujeito e objeto. Mas se D. é o objeto, quem é o sujeito? Enquanto D. parece ser uma pessoa, com uma biografia, um corpo etc., aquele (?) que observa parece ser impessoal. Quando observo (quem?) D., não encontro nada de substancial, mas apenas sensações, sentimentos, volições, pensamentos, tudo misturado e mal amarrado por uma narrativa que vai se modificando ao longo dos anos.
É, de fato, uma coisa muito estranha. Pois eu, D., tenho a sensação, a impressão, de ser o sujeito disso tudo, seu autor, mas quando volto o olhar para mim, puf!, não há nada de consistente. Tudo se fragmenta (?) em sensações, sentimentos... histórias.
Mas se eu, D., não sou o autor, como posso estar escrevendo estas linhas? Há a nítida impressão de alguém controlando a situação, raciocinando, argumentando. Não parece que as coisas simplesmente acontecem.
Enfim, só tenho mais perguntas!

Ab.,
D.

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Sun Oct 20, 2024 3:53 am

Boa noite, Donaldson! Tudo bem?
Experiência direta, sem pensamento? O máximo que consigo é considerar os pensamentos (sentimentos, volições etc.) como objetos.
- Na experiência direta os pensamentos podem se manifestar, mas não são importantes! Não precisamos nos identificar com eles. Do mesmo jeito que simplesmente surgem, eles se dissolvem! É como olhar para o céu, e ver nuvens, você pode por sua atenção e brincar de ver formas e atribuir sentidos... até que as formas mudam e desaparecem. A identificação com o pensamento em geral, fortifica a ilusão de que existe um EU experienciando algo. Se você investe atenção no pensamento, eles se multiplicam e viram um fluxo incessante em cadeia, criando inúmeras narrativas e historias, aquela voz mental como se narrasse a vida do sujeito... Porém, quando não há atenção investida nos pensamentos, eles perdem a força e simplesmente se diluem. Não se trata de resistir ao pensamento, mas apenas observá-los e deixá-los ir.
Posso examinar o ego chamado D. como se fosse um objeto. O que implica que houve então uma cisão em mim, que me dividi em sujeito e objeto. Mas se D. é o objeto, quem é o sujeito?
- Costumamos nos rotular e se identificar de diversas formas, se analisar, perceberá que já se identificou como diversos personagens em suas mais diversas características e historias ao longo de sua vida. Mas te pergunto, algum deles é real? É tangível? Existou de fato? Algum deles, em última análise, estava no comando da vida?
Quando observo (quem?) D., não encontro nada de substancial, mas apenas sensações, sentimentos, volições, pensamentos, tudo misturado e mal amarrado por uma narrativa que vai se modificando ao longo dos anos... Pois eu, D., tenho a sensação, a impressão, de ser o sujeito disso tudo, seu autor, mas quando volto o olhar para mim, puf!, não há nada de consistente. Tudo se fragmenta (?) em sensações, sentimentos... histórias.
- Muito bem observado! Consegue perceber o quão ilusório é o D? Ele de fato em algum momento existiu? Ou apenas no pensamento?
Mas se eu, D., não sou o autor, como posso estar escrevendo estas linhas? Há a nítida impressão de alguém controlando a situação, raciocinando, argumentando. Não parece que as coisas simplesmente acontecem.
- Somos condicionados a isso, a desenvolver essa identidade e se identificar com inúmeras coisas, a não deixar nada sair do nosso controle, e esses condicionamentos são fortificados diariamente no nosso meio social. Por isso requer uma análise sincera e profunda na sua experiência direta para perceber o que alguns chamam de “natureza real”.
Você já percebeu que o seu EU ao ser observado ele desmorona, se fragmenta em pensamentos, historias e sensações. Você sente que alguns desses podem de fato estar no controle da sua vida? O que são essas sensações? O que há nelas que o faz acreditar que há alguém no controle? Consegue se sentar com essas sensações e observá-las na sua experiência direta?

May.
May.

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Donaldson61
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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Mon Oct 21, 2024 11:41 am

Olá May,
Porém, quando não há atenção investida nos pensamentos, eles perdem a força e simplesmente se diluem. Não se trata de resistir ao pensamento, mas apenas observá-los e deixá-los ir.
A minha questão não é a atenção ao pensamento, mas a atenção em geral. Como posso prestar atenção no trânsito, p.ex., sem os pensamentos trânsito, carros, motos, ônibus, avenida, semáforo etc.? Os pensamentos não são necessários para o senso comum?
Costumamos nos rotular e se identificar de diversas formas, se analisar, perceberá que já se identificou como diversos personagens em suas mais diversas características e historias ao longo de sua vida. Mas te pergunto, algum deles é real? É tangível? Existou de fato? Algum deles, em última análise, estava no comando da vida?
Existiram como personagens de uma história ficcional, de uma narrativa. Faz parte da narrativa que o ego se veja como protagonista. A narrativa é egocêntrica, é uma egotrip.
Consegue perceber o quão ilusório é o D? Ele de fato em algum momento existiu? Ou apenas no pensamento?
Sim, percebo que D. não tem realidade substancial. Mas existir apenas no pensamento não é inexistir completamente. O pensamento é real. Ademais, quando digo que percebo, que me dou conta etc., quem está falando aqui, não é D., o ego?
Somos condicionados a isso, a desenvolver essa identidade e se identificar com inúmeras coisas, a não deixar nada sair do nosso controle, e esses condicionamentos são fortificados diariamente no nosso meio social. Por isso requer uma análise sincera e profunda na sua experiência direta para perceber o que alguns chamam de “natureza real”.
Para analisar não são necessários pensamentos? E se pensamos já não saímos da experiência imediata?
Você já percebeu que o seu EU ao ser observado ele desmorona, se fragmenta em pensamentos, historias e sensações. Você sente que alguns desses podem de fato estar no controle da sua vida? O que são essas sensações? O que há nelas que o faz acreditar que há alguém no controle? Consegue se sentar com essas sensações e observá-las na sua experiência direta?
Já faz tempo que não me sinto no controle de coisa nenhuma... Sinto como um ego em crise de identidade. O que chega a ser engraçado.

Abraço,
D.

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Tue Oct 22, 2024 1:04 am

Ola, Donaldson! Como vai?
A minha questão não é a atenção ao pensamento, mas a atenção em geral.
Pode tentar esclarecer qual seria a “questão” em si? Não sei se entendi.
Como posso prestar atenção no trânsito, p.ex., sem os pensamentos trânsito, carros, motos, ônibus, avenida, semáforo etc.? Os pensamentos não são necessários para o senso comum?
Ao dirigir você verá os carros, demais veículos, a avenida, as sinalizações e etc, tudo isso estará na sua experiência direta, pensamentos podem surgir, mas não são necessários para que você possa ver/ouvir/sentir o que está em sua volta. Você não precisa dar atenção aos pensamentos que surgirem para conseguir dirigir o seu veículo com segurança.
É interessante perceber a diferença entre pensar e perceber/observar diretamente.Os pensamentos surgem e desaparecem na consciência e não necessariamente estão apontando para uma verdade.
Sim, percebo que D. não tem realidade substancial. Mas existir apenas no pensamento não é inexistir completamente. O pensamento é real. Ademais, quando digo que percebo, que me dou conta etc., quem está falando aqui, não é D., o ego?
Ego é um pensamento, uma ideia, como você disse: não tem realidade substancial. E sim eles existem nesse campo da narrativa mental, o ego nada mais é do que esse aglomerado de pensamentos com os quais se identificou e colecionou na memória. Mas se você não é apenas isso. Quem é você?

Para que possa investigar o pensamento, peço-te que faça esse exercício: Sente-se em silêncio por cerca de 30 minutos e observe os pensamentos que surgem. Deixe-os aparecer como aparecem. Tente ignorar completamente o que eles estão dizendo e apenas note como aparecem sem que você faça nada.

De onde eles vêm e para onde vão?
Você fez algo para um pensamento ou pensamentos específicos aparecerem?
Você poderia ter feito algo para fazer um pensamento diferente aparecer exatamente naquele momento?
Você consegue prever seu próximo pensamento?
Você pode selecionar de uma gama de pensamentos para ter apenas pensamentos agradáveis?
Você pode escolher não ter pensamentos dolorosos, negativos ou medrosos?
Você pode escolher qualquer tipo de pensamento?
É possível impedir que um pensamento apareça?
Para analisar não são necessários pensamentos? E se pensamos já não saímos da experiência imediata?
- Sim, “analisar” não foi a melhor palavra para expressar o que gostaria nessa frase. Talvez assim fique mais claro: Por isso requer uma atenção sincera e profunda na sua experiência direta para perceber o que alguns chamam de “natureza real”.
Já faz tempo que não me sinto no controle de coisa nenhuma... Sinto como um ego em crise de identidade. O que chega a ser engraçado.
- O Ego está constantemente em crise, porque precisa de muitas narrativas para manter a identidade em pé, por isso o mesmo está sempre buscando convalidações. E essa crise é um ótimo indicador para que possa investigar quem de fato você é!

Abraços,
May.
May.

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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Tue Oct 22, 2024 12:34 pm

Oi May,
Ao dirigir você verá os carros, demais veículos, a avenida, as sinalizações e etc, tudo isso estará na sua experiência direta, pensamentos podem surgir, mas não são necessários para que você possa ver/ouvir/sentir o que está em sua volta.
Não acho que nós vemos carros, avenidas, sinais etc. Nós vemos cores e formas. Precisamos de conceitos para interpretar e categorizar o que vemos: isto é um carro de passeio vermelho etc. A percepção por si só não nos dá o sentido das coisas.
Você não precisa dar atenção aos pensamentos que surgirem para conseguir dirigir o seu veículo com segurança.
É interessante perceber a diferença entre pensar e perceber/observar diretamente. Os pensamentos surgem e desaparecem na consciência e não necessariamente estão apontando para uma verdade.
Para saber que eu devo parar no sinal vermelho eu preciso de conceitos, mas minha atenção não está voltada para o conceito e sim para o objeto que ele refere, no caso, o sinal.
Ego é um pensamento, uma ideia, como você disse: não tem realidade substancial. E sim eles existem nesse campo da narrativa mental, o ego nada mais é do que esse aglomerado de pensamentos com os quais se identificou e colecionou na memória. Mas se você não é apenas isso. Quem é você?
Não sei. Mas quem não sabe? Como um emaranhado de pensamentos pode saber ou não saber alguma coisa?
Para que possa investigar o pensamento, peço-te que faça esse exercício: Sente-se em silêncio por cerca de 30 minutos e observe os pensamentos que surgem. Deixe-os aparecer como aparecem. Tente ignorar completamente o que eles estão dizendo e apenas note como aparecem sem que você faça nada.
Já fiz isso algumas vezes. Parece que a consciência oscila entre se perder em meio aos pensamentos (objetos) e observá-los como por detrás deles (sujeito).
De onde eles vêm e para onde vão?
Você fez algo para um pensamento ou pensamentos específicos aparecerem?
Você poderia ter feito algo para fazer um pensamento diferente aparecer exatamente naquele momento?
Você consegue prever seu próximo pensamento?
Você pode selecionar de uma gama de pensamentos para ter apenas pensamentos agradáveis?
Você pode escolher não ter pensamentos dolorosos, negativos ou medrosos?
Você pode escolher qualquer tipo de pensamento?
É possível impedir que um pensamento apareça?
Os pensamentos nem são totalmente controláveis nem totalmente sem controle. P.ex., posso decidir pensar agora num determinado problema, ou a contar de uma a dez, ou a declamar um poesia ou cantar uma música etc. Claro que não tenho absoluto domínio sobre todos os pensamentos, mas posso dizer sim qual será o próximo, p.ex., o número 3.
Sim, “analisar” não foi a melhor palavra para expressar o que gostaria nessa frase. Talvez assim fique mais claro: Por isso requer uma atenção sincera e profunda na sua experiência direta para perceber o que alguns chamam de “natureza real”.
Quem deve ser sincero, o ego, o D.? Faz sentido isso?
O Ego está constantemente em crise, porque precisa de muitas narrativas para manter a identidade em pé, por isso o mesmo está sempre buscando convalidações. E essa crise é um ótimo indicador para que possa investigar quem de fato você é!
Parafraseando o Raul, eu me sinto como "uma crise ambulante"...

Abraço,
D.

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Tue Oct 22, 2024 2:40 pm

Bom dia, D!
Para saber que eu devo parar no sinal vermelho eu preciso de conceitos, mas minha atenção não está voltada para o conceito e sim para o objeto que ele refere, no caso, o sinal.”
Então percebe que o conceito, o rótulo/pensamento não é importante para haver atenção no que está em sua volta? A percepção so existe com o conceito? O conceito é uma verdade absoluta do que você observa em sua experirncia direta?
Quem/o que da sentido as cores e formas, esse sentido que foi dado, é real?
Não sei. Mas quem não sabe? Como um emaranhado de pensamentos pode saber ou não saber alguma coisa?
Sem os conceitos e sem o emaranhado de pensamentos, o que é o D? O que resta? Toda a sua “realidade” é apenas esse emaranhado de histórias fictícias?
Parece que a consciência oscila entre se perder em meio aos pensamentos (objetos) e observá-los como por detrás deles (sujeito).
O que difere o sujeito do objeto? O que os separa?
Os pensamentos nem são totalmente controláveis nem totalmente sem controle. P.ex., posso decidir pensar agora num determinado problema, ou a contar de uma a dez, ou a declamar um poesia ou cantar uma música etc. Claro que não tenho absoluto domínio sobre todos os pensamentos, mas posso dizer sim qual será o próximo, p.ex., o número 3.
Entao me diga quem os controla? É o D? Então é um pensamento (ego) controlando outro pensamento? Isso é um pensamento em cadeia?
Quem deve ser sincero, o ego, o D.? Faz sentido isso?
Na sua ‘experiência direta’, o D existe? Ou ele é só um conceito?
O que você entende quando falo, Experiência direta?
Parafraseando o Raul, eu me sinto como “uma crise ambulante”...
Raul: conceito/pensamento
Eu me sinto: conceito/pensamento
Crise ambulante: Conceito/pensamento.
Qual a sensação real na sua experiência direta? Isso é a única coisa que estamos investigando aqui.


May.
May.

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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Wed Oct 23, 2024 2:21 pm

Bom dia, May,
Quem/o que da sentido as cores e formas, esse sentido que foi dado, é real?
Se real é aquilo que é como é independentemente do observador, então não, não é real.
Sem os conceitos e sem o emaranhado de pensamentos, o que é o D? O que resta? Toda a sua “realidade” é apenas esse emaranhado de histórias fictícias?
Creio que não resta nada de D., mas com certeza há alguma coisa além de D., que pode contemplar o emaranhado de histórias.
O que difere o sujeito do objeto? O que os separa?
D. é um sujeito psicofísico, por assim dizer. Está no mesmo plano dos objetos em geral. Mas há algo que transcende esse plano, que talvez possa ser considerado como o único e universal Sujeito.
Entao me diga quem os controla? É o D? Então é um pensamento (ego) controlando outro pensamento? Isso é um pensamento em cadeia?
Por isso, o ego talvez não seja apenas um emaranhado de pensamentos, mas envolva o sentimento e a vontade. É preciso vontade para controlar minimamente o pensar. Para dar um direcionamento ao pensar, é necessário querer fazê-lo.
Na sua ‘experiência direta’, o D existe? Ou ele é só um conceito?
O que você entende quando falo, Experiência direta?
É difícil senão impossível dar respostas simples a essas questões... Poderia dizer talvez que o ego D. sim existe, embora não seja real (não exista por si mesmo). A minha experiência direta, imediata (não mediada por representações mentais), diz-me que "eu" existo, mas este "eu" não se confunde com D. A não ser que você entenda outra coisa por experiência direta.
Raul: conceito/pensamento
Eu me sinto: conceito/pensamento
Crise ambulante: Conceito/pensamento.
Qual a sensação real na sua experiência direta? Isso é a única coisa que estamos investigando aqui.

É impossível abrir a boca, dizer qualquer coisa, sem usar conceitos. Sensação real e experiência direta também são conceitos. "É" é um conceito universal, o verbo ser. Como disse acima, eu tenho uma convicção por assim dizer existencial, não mental, que existo aqui e agora. Mas também estou convicto de que não sou D. Embora não saiba o que sou realmente.

Abraço,
D.

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Re: Liberação em português

Postby Maylson » Fri Oct 25, 2024 7:52 pm

Boa tarde, Donaldson.

Nao perguntei antes, mas posso chama-lo de Donaldson? Me avise caso prefira de outra maneira.

D. é um sujeito psicofísico, por assim dizer. Está no mesmo plano dos objetos em geral.
Então seria possível eu ver o D? Ou você me mostraria apenas uma imagem de um corpo e me contaria uma história/crença atribuida esse corpo?
É difícil senão impossível dar respostas simples a essas questões... Poderia dizer talvez que o ego D. sim existe, embora não seja real (não exista por si mesmo). A minha experiência direta, imediata (não mediada por representações mentais), diz-me que “eu” existo, mas este “eu” não se confunde com D.
O que seria esse ‘Eu’ que existe que não é o D? como isso se manifesta na sua experiência direta? Pelo que entendi não estas falando de uma forma física/objeto, correto? Como isso emerge no seu campo de percepção?
É impossível abrir a boca, dizer qualquer coisa, sem usar conceitos. Sensação real e experiência direta também são conceitos. “É” é um conceito universal, o verbo ser.
Descreveu bem o que chamamos de linguagem, e concordo que quando entramos nesse assunto de não dualidade ou como quer que queria chamar, a linguagem pode ser muito limitada e paradoxal. “A palavra não é a coisa”. “Sensação” e “real” tentam apontar para a sua experiência imediata, o que há de visceral se manifestando no aqui e agora, “por assim dizer”. 😂

Como disse acima, eu tenho uma convicção por assim dizer existencial, não mental, que existo aqui e agora. Mas também estou convicto de que não sou D. Embora não saiba o que sou realmente.
Por isso perguntei; de onde vem essa CONVICÇÃO? Como isso se manifesta na sua experiência imediata?


May. :)
May.

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Re: Liberação em português

Postby Donaldson61 » Sat Oct 26, 2024 2:14 pm

Oi May,
Nao perguntei antes, mas posso chama-lo de Donaldson? Me avise caso prefira de outra maneira.
Fique à vontade.
Então seria possível eu ver o D? Ou você me mostraria apenas uma imagem de um corpo e me contaria uma história/crença atribuida esse corpo?
Sim, seria, claro. O que eu quis dizer é que não vejo diferença significativa entre mim, como sujeito psicofísico, e os objetos em geral. Porque esse sujeito se confunde com o corpo e com a mente. Enquanto eu, como consciência, pareço transcender esse plano, à medida que posso contemplar, "testemunhar" o que D. pensa e faz, como se fora outro.
É difícil senão impossível dar respostas simples a essas questões... Poderia dizer talvez que o ego D. sim existe, embora não seja real (não exista por si mesmo). A minha experiência direta, imediata (não mediada por representações mentais), diz-me que “eu” existo, mas este “eu” não se confunde com D.
O que seria esse ‘Eu’ que existe que não é o D? como isso se manifesta na sua experiência direta? Pelo que entendi não estas falando de uma forma física/objeto, correto? Como isso emerge no seu campo de percepção?
Não sei, sinceramente. Mas é algo vivo, consciente e livre. Digo isso sabendo que essas palavras são inadequadas.
É impossível abrir a boca, dizer qualquer coisa, sem usar conceitos. Sensação real e experiência direta também são conceitos. “É” é um conceito universal, o verbo ser.
Descreveu bem o que chamamos de linguagem, e concordo que quando entramos nesse assunto de não dualidade ou como quer que queria chamar, a linguagem pode ser muito limitada e paradoxal. “A palavra não é a coisa”. “Sensação” e “real” tentam apontar para a sua experiência imediata, o que há de visceral se manifestando no aqui e agora, “por assim dizer”. 😂
Sim, tudo que não é mediado pelo pensamento, pela linguagem é, por definição, imediato. A maioria dos pensadores ocidentais acha que é impossível escapar dessa prisão. Enquanto a maioria dos orientais visa justamente isso.
Por isso perguntei; de onde vem essa CONVICÇÃO? Como isso se manifesta na sua experiência imediata?
Não sei de onde ela vem. Da vida? Da consciência? Não é da mente. A mente tenta entender, e então transforma uma experiência vital, existencial, num argumento racional, pensamento. Por isso, sempre preciso dar um passo atrás, por assim dizer.

Abraço e bom fim de semana,
D.


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