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Re: Nunes

Postby Nunes » Thu May 11, 2017 10:02 pm

Olá Sandra,

Eu acho que aquilo que me faz mais pensar e sentir que sou uma entidade separada é o facto de eu ter escolha.

Por exemplo, eu estou a escrever te este e-mail. Eu decidi escrever este e-mail. Eu podia estar a fazer qualquer outra Coisa.

temos falado que não existe um eu, mas foi o "eu" que ainda aqui está a falar ctg. há uma continuação de eventos. Eu lembro me de te ter escrito Ontem.

Mas sim se tiver de dizer aquilo que mais me faz pensar na existência de um eu, é este poder de escolha que eu como pessoa pareço ter.

Também, o facto de eu ter noção do mundo que me rodeia através dos meus sentidos e não dos teus. Por exemplo, eu olho para o meu namorado, e vejo que ele é diferente de mim. Ele tem o eu dele e eu tenho o meu.

Sandra estou mesmo a por tudo cá para fora, se algo não fizer sentido diz.

beijinho

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Re: Nunes

Postby Canfora » Fri May 12, 2017 7:45 pm

Ola Claudia!

Estou a usar um computador que nao reconhece os assentos... vais ter que imagina-los!

Coloca tres objetos a tua frente: um papel, uma caneta azul, uma caneta preta.

Escolhe uma das canetas.

Depois diz-me se, olhando para o que acontece, e possivel comprovar a existencia de um eu que escolhe.
Por exemplo, eu olho para o meu namorado, e vejo que ele é diferente de mim. Ele tem o eu dele e eu tenho o meu.
Onde e que dirias que o teu namorado tem o seu eu?

Beijinhos!

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Re: Nunes

Postby Nunes » Sun May 14, 2017 10:08 pm

Olá Sandra,

Escolhendo uma das canetas simplesmente o que aconteceu foi a "acção" em si. Não existiu um eu a escolher. Só Na minha cabeça depois de o acto ter acontecido.

No meu namorado, vejo que tem a autonomia dele. Só isso. Mas comparando o exercício da caneta, eu vejo que secalhar ele também só está a reagir ao que acontece. Tipo ações acontecem e nos assinamos por baixo como se fossemos os autores do que acontece.

MUito OBrigado

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Re: Nunes

Postby Canfora » Mon May 15, 2017 3:24 pm

Olá Cláudia!

Boa! Vamos verificar se o que dizes é realmente aquilo que acontece na tua experiência?

Procura exemplos de que não existe um eu a fazer as coisas acontecer.

Estes momentos são ideais para isso, na minha opinião:

- observar se há um eu a escolher o momento em que te levantas da cama depois de acordar;

- observar o que acontece quando tomas banho: existe um eu a controlar o que o corpo faz?

- observar como as decisões de virar à esquerda ou à direita acontecem;

- observar os pensamentos, para ver se é possível encontrar um eu a decidir o que pensar a seguir.

Isto são só sugestões, adapta estas ideias à tua própria experiência e partilha o que descobrires.

Entretanto se houver outras coisas de que queiras falar, relacionadas com a ilusão do eu, diz.

Beijitos,
S

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Re: Nunes

Postby Nunes » Wed May 17, 2017 9:56 pm

Olá querida,

Estive ausente dois dias e só cheguei a casa hoje.
Amanhã respondo te com exemplos do que pediste.

Beijinho grande

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Re: Nunes

Postby Nunes » Wed May 17, 2017 10:09 pm

Olá outra vez,

Estive a a reflectir nos teus exemplos e acho que descreves te tudo :)

Definitivamente não existe um eu que escolhe.

Mas isso não alivia a minha busca.

Sandra, se não te importares, será que poderias ouvir um vídeo de poucos minutos?
Ears video, define um pouco o que eu sinto e levanta uma questão muito grande que eu sinto que é:

Ok se eu não sou uma pessoa,qual é a minha realidade? E também, como é que está separação 'parece" existir?

O vídeo chama se-
Rupert spira - calling off the search prematurely

Ouvi este vídeo por acaso, e simplesmente definiu o que sinto.

Obrigado pela ajuda

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Re: Nunes

Postby Canfora » Thu May 18, 2017 3:35 pm

Olá Cláudia!

Vi o vídeo, mas ver o vídeo diz-me mais sobre o ponto de vista do Rupert naquele momento, do que sobre o que se passa contigo neste momento :)
como é que está separação 'parece" existir?
Como é que responderias a esta pergunta? O que é que neste momento parece ser a causa de separação?

Abraço,
S

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Re: Nunes

Postby Nunes » Thu May 18, 2017 9:51 pm

Olá Sandra,

Obrigado por teres visto o vídeo. Identifiquei me um pouco com as palavras do Rupert.

Ok vamos lá á investigação.

Como é que a separação parece existir?
Eu não consigo bem responder a esta pergunta, porque neste momento eu não tenho o ponto de vista da "não separação" para conseguir entender como a separação acontece.

Aquilo que consigo ver da minha experiência é que por vezes há resistência ao que acontece. Por exemplo hoje no trabalho.. várias situações causaram com que eu quisesse que o momento fosse diferente. Como se eu precisasse que certas coisas acontecessem ou não acontecessem para que eu ficasse bem. Por exemplo, quando alguém diz algo que eu não gostei. Há uma rejeição do momento. Parece que há aqui "alguém" que não gostou to momento presente, rejeita - o e pensa "isto não devia ter acontecido " .

SAndra, se o eu não existe, quem é que está a rejeitar o momento? Quem é que quer que as coisas sejam diferentes?

beijinho

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Re: Nunes

Postby Canfora » Fri May 19, 2017 3:02 pm

Olá Cláudia!
Eu não consigo bem responder a esta pergunta, porque neste momento eu não tenho o ponto de vista da "não separação" para conseguir entender como a separação acontece.
Se a separação fosse verdadeira, não devias conseguir encontrar:
- a separação em si?
- o que causa a separação?
- o que está separado?

Olha para o que te rodeia - é possível encontrar evidências de que existe separação ou não separação? Ou esta forma de pensar é um ponto de vista, uma interpretação da realidade?

Digamos que tentas experimentar quer a separação quer a não separação. Há alguma coisa que se altere no que te rodeia, ou fica tudo na mesma? Acontece alguma mudança, ou só o conteúdo dos pensamentos é que muda?

Existe um eu aqui que possa oscilar entre duas realidades diferentes ou o que existe são duas formas de pensar diferentes, que parecem estar em conflito, porque acreditas que uma mudança de ponto de vista tem o poder de alterar a vida tal como ela é agora?
Parece que há aqui "alguém" que não gostou to momento presente, rejeita - o e pensa "isto não devia ter acontecido " .
Parece que está aqui alguém ou está aqui alguém?
Estás a falar de um eu ilusório ou de um eu real?
SAndra, se o eu não existe, quem é que está a rejeitar o momento? Quem é que quer que as coisas sejam diferentes?
O que é e onde está este "quem" de que falas?
Encontras algum "quem" se observares o que está aqui?
O fato de estas perguntas aparecerem prova que existe um quem?

Abraço,
S

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Re: Nunes

Postby Nunes » Fri May 19, 2017 11:14 pm

Olá Sandra,

Eu não consigo entender o que causa a separação e o que está separado.
A única que eu tenho é a sensação de ser uma pessoa. É só isto que tenho por agora.

Perguntas se consigo encontrar evidências de que existe separação - não sei bem.

Quando investigo o termo separação não sei bem se este é o termo correcto. O momento é o que é - não entendo o facto da separação . A única coisa que consigo observar da minha experiência por agora é que parece que existe eu a pessoa, e o resto. Eu vivo aqui, dentro deste corpo e observo o que acontece fora de mim.

Perguntas parece que está aqui alguém ou está aqui alguém?
Só te consigo dizer que eu não consigo ver ninguém (além do meu corpo) mas Sim consigo ver o meu ponto de vista.

Onde está o quem de que falo?
Além do meu corpo só existe os meus pensamentos.

Se encontro algum quem se observar o que está
Aqui?

Só consigo ver o meu ponto de vista.
Já falamos disto antes mas ainda não está claro o facto de este eu ser o sujeito é por isso eu não conseguir ver. Pois eu só vejo objectos, e tudo o que tem qualidades. Eu sendo o sujeito não consigo trocar para ser o objecto para eu poder ver é impossível. É só o ponto de Vista que eu estou consciente.

Beijinho

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Re: Nunes

Postby Canfora » Sun May 21, 2017 7:59 pm

Olá Cláudia,
A única que eu tenho é a sensação de ser uma pessoa. É só isto que tenho por agora.
O que é que sentes que te leva a dizer que és uma pessoa?
Dito por outras palavras, o que é que nas sensações te faz pensar que encontraste um eu real?

Beijinhos,
S

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Re: Nunes

Postby Nunes » Mon May 22, 2017 10:47 pm

Olá Sandra,

O que faz sentir que sou uma pessoa não é nada que eu possa dizer objetivamente , é isto.

Acho que já falamos sobre isto, mas parece me assumido só.

Por exemplo, certas acções podem causar sensações em mim. Quando sinto certas sensações tipo:
Medo, timidez, frio, calor, etc

É sempre assumido o:
Eu tenho medo,
Eu tenho frio,
Eu estou envergonhada etc

Vais dizer " mas ha um eu real" - se não há um eu, então porque é que é desconfortável certas sensações?
Tipo timidez? Tipo não gostar de ser ignorada?
Não consigo compreeender esta parte - há aqui dentro alguém que gostas de certas coisas e não gosta de outras. Há aqui alguém que por vezes quer que o momento seja diferente do que é:

Exemplo direto - não gosto de ser ignorada.

O que posso dizer em relação a isto? Que não há ninguém que está a ser ignorado????

Beijinho e muito obrigado mais uma vez.

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Re: Nunes

Postby Canfora » Tue May 23, 2017 12:13 pm

Olá Claúdia,
O que posso dizer em relação a isto? Que não há ninguém que está a ser ignorado????
Não percebo muito bem o que queres dizer com isto. Partes do princípio que a tua maneira de ser, sentir e estar no mundo vai mudar se vires com clareza que não existe um eu separado?

Porque é que isso havia de acontecer? As tuas preferências foram aprendidas ou são o que tu és? Quando tinhas 3 meses, era para ti um problema se te ignorassem?

Sensações acontecem e partes do princípio que as reações às mesmas provam que és um eu. E esperas que ao ver que não és um eu as sensações e reações se alterem ou desapareçam?

Isto é um bocado contraditório. Penso que sou um eu porque sinto e reajo. E se não deixo de sentir e reajir, vou continuar a acreditar que sou um eu. Mas, se é verdade que não existe um eu separado a sentir e reagir, não é igualmente verdade que não existe um eu que vai deixar de sentir e reagir?

Pensas que deixar de sentir e reagir em situações sociais é possível? Pensas realmente que te vais transformar em algo que é insensível?

Beijinhos,
S

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Re: Nunes

Postby Nunes » Tue May 23, 2017 11:16 pm

Olá Sandra,

Eu não penso que a minha forma de ser, sentir e estar no Mundo vai mudar se eu vir com clareza que um eu não existe. não necessariamente, mas não vou viver para esta pessoa como vivo agora. Minhas ações não vão ser condicionadas acho que tudo vai ser mais expontâneo.

Eu só quis dar te exemplos do que na minha vida diária parece haver um eu. Quis dar te os "sintomas".

Sim compreendo que as minhas preferências foram aprendidas.

Sensações acontecem sim, eu só parto do Princípio que as reações as mesmas podem provar a existência de um eu Porque eu estou constantemente a viver com esta "pessoa" que precisa de ser protegida.

Entendes o que queria dizer? Estou semPre a proteger a Cláudia. Estou a procurar sempre melhorar Tudo à minha volta para que a Claudia esteja bem. VEjo claramente que vivo a volta desta pessoa. Entendes me aqui?

Acho que não me vou tornar insensível, MAS não vou ter necessidade de proteger ninguém, se não há ninguém. Parece que para ti não faz sentido o que te estou a dizer aqui, e não sei se me estou a explicar bem. Enquanto eu pensar que esta pessoa existe eu vou ter necessidade de a proteger para não sentir coisas menos boas.

Agora não sei o que vem primeiro- enfrentar os meus medos OU ver claramente que não existe ninguém e por isso não há nada a temer.


Bom, acho que já pus muita coisa cá para fOra.. acho que já te dei quase todos os meus argumentos, os meus "but's" . POr isso, sinto me confiante prosseguir a investigação contigo.

Podes continuar. Eu se tiver questions no meio pergunto :) nãos Sei bem como seguir daqui para a frente..

muito Obrigado
beijinho

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Re: Nunes

Postby Canfora » Wed May 24, 2017 11:13 am

Olá Cláudia,
Eu não penso que a minha forma de ser, sentir e estar no Mundo vai mudar se eu vir com clareza que um eu não existe. não necessariamente, mas não vou viver para esta pessoa como vivo agora. Minhas ações não vão ser condicionadas acho que tudo vai ser mais expontâneo.
Neste momento, está a acontecer algo que não seja expontâneo?
A sério... o que é que está a acontecer que não aconteça expontaneamente?
Eu só quis dar te exemplos do que na minha vida diária parece haver um eu. Quis dar te os "sintomas".
Sintomas é a palavra certa. Mas tenho a impressão que encaras os sintomas como provas de que és um eu separado, em vez de veres que os sintomas provocam e reinforçam a ilusão de que és um eu separado.
Sim compreendo que as minhas preferências foram aprendidas.
Sim foram, mas só 100% delas.
Sensações acontecem sim, eu só parto do Princípio que as reações as mesmas podem provar a existência de um eu Porque eu estou constantemente a viver com esta "pessoa" que precisa de ser protegida.
O que é que vez aqui e agora a precisar de ser protegido?

Vou sugerir que passes algum tempo a olhar para isto de outro ponto de vista.

Sensações e emoções acontecem. E com elas aparece uma história sobre o eu.

Se te focares só nas sensações e emoções, dirias que precisas de te proteger do que estás a sentir? O que é que descobres se, em vez de tentar evitar o que sentes aceitares o que sentes?
Entendes o que queria dizer? Estou semPre a proteger a Cláudia. Estou a procurar sempre melhorar Tudo à minha volta para que a Claudia esteja bem. VEjo claramente que vivo a volta desta pessoa. Entendes me aqui?
Sim, entendo. E funciona? Tentar controlar a vida para que a Cláudia esteja bem?
É possível controlar o que se passa no corpo, nos pensamentos, nas sensações, no dia a dia?
Até que ponto é que acreditas que a Cláudia pode e precisa de ser protegida? E por quem?

Com isto não quero dizer, obviamente, que ter precauções ou tentar fazer o que pensamos que é o melhor para nós é inútil, impossível, errado, etc, etc. Estas questões vão mais na direção de questionar a ideia de que és algo separado do resto, que tem a capacidade de fazer a vida moldar-se como pretendes.
Acho que não me vou tornar insensível, MAS não vou ter necessidade de proteger ninguém, se não há ninguém. Parece que para ti não faz sentido o que te estou a dizer aqui, e não sei se me estou a explicar bem. Enquanto eu pensar que esta pessoa existe eu vou ter necessidade de a proteger para não sentir coisas menos boas.
Mas mesmo que deixes de pensar que a pessoa existe - o que é improvável, porque os pensamentos são o que são - porque é que deixarias de proteger, dentro do possível, o que existe? Pensas que quem viu que o eu é uma ilusão deixa de lavar os dentes, de ser acertivo, de olhar para ambos os lados quando atravessa a estrada?
Agora não sei o que vem primeiro- enfrentar os meus medos OU ver claramente que não existe ninguém e por isso não há nada a temer.
Repara como a tendência que temos é ver tudo em termos de branco e preto, isto ou aquilo, sem notar que nada é assim tão liniar. Que percentagem dos teus medos está relacionada com o que está a acontecer agora? Por outras palavras, os teus medos são provocados por algo que está a acontecer ou por algo que pensas que pode acontecer? Até que ponto estás a fazer "futurologia" - pensar em coisas que, muito provavelmente, não vão acontecer?
Bom, acho que já pus muita coisa cá para fOra.. acho que já te dei quase todos os meus argumentos, os meus "but's" . POr isso, sinto me confiante prosseguir a investigação contigo.
Às vezes tenho a impressão de que sou muito direta e que posso de alguma forma magoar-te. Não é essa a minha intenção. Fico feliz por me dizeres que te sentes confiante. Mas não te prendas muito nos resultados, vamos andando um post de cada vez :)
nãos Sei bem como seguir daqui para a frente..
O caminho é sempre o mesmo. Verificar se um eu, uma entidade solida, permanente, separada, real, existe aqui e agora. E para isso tens que comparar o que pensas com o que está aqui, agora...

Beijinhos,
S


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