João

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jpaulo
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João

Postby jpaulo » Fri Aug 19, 2016 2:42 pm

What brings you to Liberation Unleashed?
Na sequência de, desde sempre, ser um Buscador espiritual, a um certo momento encontrei, a "não dualidade" que exerceu uma profunda ressonância interior em mim, como nenhum outro pensamento. Neste sentido, quando buscava livros sobre a "não dualidade", via net, encontrei o site "LU" que, na minha percepção constitui expressão ou síntese de autores que estudei ao longo dos anos, tais como: Anthony de Mello (o meu favorito), Byron Katie, Scott Kilobi, Burt Harding, Gina Lake,Eckhart Tolle (entre vários) e Um Curso em Milagres. Decidi ler atentamente o vosso site e...seduziu-me por inteiro.

What are you looking for? What do you expect from this?
Busco-me a mim mesmo, o sentido profundo de existir, de estar aqui e agora, do propósito ultimo de tudo isto. Aceito intelectualmente a ideia de que "o eu não existe" mas, apesar de vários insights ao logo do tempo, não fiz ainda a experiência de me verificar que "o eu não existe" (mesmo se o considero verdadeiro intelectualmente, mesmo se acho que o eu é apenas um pensamento). Aquilo que espero? fazer essa experiencia definitiva: verificar directamente que "não existe o eu".

What is your background in terms of seeking and inquiry?
Desde os 5 anos que busco...passei pela religião organizada, pelo desenvolvimento pessoal, leituras espirituais compulsivas, yoga, controlo mental, e não dualidade (advaita vedanta).

How ready are you to question your beliefs about who you are and see the truth no matter what? 8

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Canfora
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Re: João

Postby Canfora » Fri Aug 19, 2016 5:11 pm

Olá João, bem vindo ao site da LU!

Obrigada pela tua apresentação. O meu nome é Sandra e vou ser o teu guia.
Anthony de Mello (o meu favorito), Byron Katie, Scott Kilobi, Burt Harding, Gina Lake,Eckhart Tolle (entre vários) e Um Curso em Milagres.
O meu percurso também incluiu alguns destes autores/formas de inquérito.
verificar directamente que "não existe o eu".
Talves pudesses começar por me dizer o que é que pensas que o eu é?

Se eu te perguntar como é que sabes que existe um eu, como é que sabes que és um eu... qual é a tua resposta imediata?

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Fri Aug 19, 2016 6:10 pm

Boa tarde, Sandra!
Não pode imaginar o quanto fico feliz por me ter sido atribuído um Guia (e...em português!!!).
Fico imensamente contente por se ter disponibilizado a Guiar-me neste processo interior (turnaround). Obrigado de coração.
Fantástico saber que, de algum modo, temos, por assim dizer, autores em comum. Por mais que leia, regresso sempre, e de forma quase inevitável, a Byron Katie.
É chegada a hora de ser totalmente honesto comigo mesmo, deixar os conceitos e crenças de lado e "ver" por mim mesmo "O que é este eu" que penso que sou.

Começamos bem: Quem é este eu?
Não consigo dizer o que é sem recorrer ao pensamento. É esta sensação, que me parece objectiva, de existir dentro deste corpo. É este ponto que tenho dentro do corpo, e que parece localizado na cabeça, a partir do qual olho, neste preciso instante, o monitor, o teclado...é este "qualquer coisa" que, aqui e agora, busca pensamentos sobre aquilo que devo escrever. É este "qualquer coisa", consciente do que se passa nesse instante, que tem pensamentos sobre a possibilidade da sua própria inexistência. Ao nível intelectual, compreendo que o que é o ego - esta auto imagem irreal construída por meio da programação e do condicionamento - e estou seguro que ele é uma ilusão. Não é quem sou. Mas, diante da questão: O que é o eu? sinto de responder que é esta consciência que pensa e que às vezes se identifica com os pensamentos. Mas também isto é um conceito. Portanto, e dito com toda a honestidade possível, o eu é este ponto que está dentro desta cabeça e a partir do qual vejo o mundo.

Que feliz que estou por fazer esta "viagem" consigo, Sandra!Parece-me inacreditável que a possa fazer com um guia e que esse guia seja português!
Obrigado de coração.
Cumprimentos, Sandra!
João.

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Re: João

Postby jpaulo » Fri Aug 19, 2016 6:14 pm

"Se eu te perguntar como é que sabes que existe um eu, como é que sabes que és um eu... qual é a tua resposta imediata?"

Do ponto de vista intelectual, posso sublinhar que sei que existe um eu por sinto que é aquilo que eu sou: um eu. Recordo-me que quando era mais pequeno, pensava inúmeras vezes: Porque é que eu sou eu e não sou outro ou o outro?
Cumprimentos, Sandra!!!
Obrigado pela disponibilidade.
João.

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Re: João

Postby Canfora » Sat Aug 20, 2016 2:54 pm

Viva João!

Para usares a função Quote (se não conseguires não há problema, mas facilita a leitura):
- quando vais escrever uma resposta, usas o botão colorido "Post Reply" que está abaixo, no lado esquerdo;
- no sítio onde escreves, colocas o cursor do rato onde queres que as minhas palavras apareçam;
- selecionas com o rato as palavras que queres "quotar";
- carregas no botão lilás/alaranjado "Quote" que está logo acima, no lado direito.
as minhas palavras aparecem num retângulo colorido como este, o que facilita a leitura
- se quiseres verificar se está tudo ok, em vez de carregares em Submit, carregas em Preview e vês o aspeto do teu post, como se tivesse sido submetido. Depois não te esqueças de Submeter, ou eu não vou ver o teu post.
Não pode imaginar o quanto fico feliz por me ter sido atribuído um Guia (e...em português!!!).
Fico feliz com o entusiamo e sim, é bom falar sobre isto em português!
Fantástico saber que, de algum modo, temos, por assim dizer, autores em comum. Por mais que leia, regresso sempre, e de forma quase inevitável, a Byron Katie.
Ótimo. Pode ser que a tua experiência com o The Work faça com que veres aquilo para o que eu aponto seja fácil para ti.
É chegada a hora de ser totalmente honesto comigo mesmo, deixar os conceitos e crenças de lado e "ver" por mim mesmo "O que é este eu" que penso que sou.
Veres por ti mesmo... sim, a ideia é mesmo essa. Enquanto durar esta conversa era bom se deixásses de ler e ver vídeos de pessoas a falar sobre estes assuntos. O que nos interessa é a tua experiência e não o que os outros dizem que é a verdade.
Não consigo dizer o que é sem recorrer ao pensamento.
Sim.

Mas é necessário pensar para saber se algo existe ou não aqui e agora na tua experiência imediata?

Se o eu existe, tem que ser tão fácil de encontrar como um molho de chaves ou um copo ou um gato. Tem que ser algo de objetivo e separado que existe aqui, nesta realidade.

Algo que é possível verificar que existe, mesmo quando não estás a pensar sobre o eu.
sei que existe um eu por sinto que é aquilo que eu sou: um eu.
Será que sentir que algo existe prova que esse algo existe? :)

Vou pedir-te para fazeres o exercício da melancia:

Imagina (com os olhos fechados de preferência) que estás a agarrar uma grande melancia.

Torna a melancia tão real quanto for possível. Sente o seu peso, forma, textura e imagina a sua cor e sabor.

Depois abre os olhos e responde às seguintes questões:

- o que é que aconteceu à melancia que parecia ser tão real?
- o que é que aconteceu às sensações que pareciam ser tão reais?
- existiu alguma vez uma melancia na realidade?
- o conteúdo da imagem mental era real?

Voltando ao eu:

Observa a sensação de ser um eu:

- a sensação de que és um eu, é o eu ou é uma sensação?

Abraço,
S

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Mon Aug 22, 2016 2:00 pm

Bom dia Caríssima Sandra!!!
Obrigado de coração pela resposta. Uma serena alegria interior desponta em mim por ter iniciado esta viagem que, seguramente, não terá retorno (a morte do eu ilusório...embora tal se afigura ainda e apenas um conceito que ainda não foi claramente"visto" por mim. Na sequência de me encontrar no local de trabalho, responderei, ainda hoje, quando regressar a casa! Na mais profunda paz do momento presente, João!!!

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Re: João

Postby jpaulo » Tue Aug 23, 2016 8:28 am

Bom dia Caríssima Sandra!!!

(Nota Introdutória: Penso que, ainda não é desta que escreverei dispondo do modo facilitador utilizado no forum e que gentilmente me explicaste, Sandra. Estou a escrever em formato "word" porque me facilita para mais tarde enviar-te o texto, no computador do trabalo. Farei "copy paste" e enviarei. Mas...comprometo-me a rever as funções do forum que me indicaste. O que aparece na parte central da folha corresponde às tuas afirmações).

Que alegria podermos manter este dialogo…Jamais pensei na possibilidade de ter alguém que me conduzisse directamente a ver a verdade. Uma multiplicidade de livros de substancia espiritual penetraram na minha mente, ao longo dos anos, configurando o modo singular como vejo a mim mesmo e o mundo. Poderia levantar a questão: “Quem seria eu sem as crenças que essas leituras produziram?”. De facto, não sei. Sem o pensamento ou sem o sistema de pensamento que me devolve a segurança de ser eu mesmo, talvez me visse a mim mesmo tal como sou na realidade: Presença, consciência, Ser sem qualquer identificação. Ou, como o LU sublinha…seria nada, posto que o eu não existe.

Se num certo sentido, a busca espiritual incessante procurou responder ao “vazio”, a profunda insatisfação interior que carregava em mim, por outro lado, autores da “não dualidade” chegaram a mim justamente num período no qual despontou dentro de mim um profundo sofrimento gerado por chegar à conclusão que o pensamento dito espiritual não respondia à minha insatisfação. Por mais que lesse – e leio compulsivamente – que fizesse mindfulness, silva mind control, estudasse “um curso em milagres” e até mesmo realizasse “O trabalho” (o mais belo instrumento de “regresso a mim mesmo” que conheço) diariamente e diante de cada sofrimento, dentro ficava-me uma sensação permanente de que talvez eu fosse portador de “algo” de muito errado, posto que em comparação com a maioria…chegara à conclusão que a leitura espiritual conduzia-me sempre e inevitavelmente ao mesmo destino. Neste processo de insatisfação chegou-me às mãos livros que não só apontavam que “eu não sou o ego” como também “eu não existo”.

Conceptualmente, consigo aceitar estar verdade, Sandra. Seguramente, faz todo o sentido para mim. Face à insatisfação que os chamados “caminhos” ditos espirituais me devolvem, suspeito que a verdade seja tão simples que não consigo parar para ver. Não obstante, os chamados gurus neo advaita sublinhem a simplicidade da “iluminação”, e apesar de ter muitos insights, “aha”, com a realização do “trabalho”, ou com a leitura de livros de Kilobi, Eckhart, entre MUITOS………, Sandra, não consigo encontrar esse estado de lucidez permanente ou…”não consigo ver, de uma vez por todas, que “o eu não existe”. Depois encontrei o site “Liberation Unleashed” no qual, num 1º momento, não me dei conta que existia um fórum no seio do qual poderíamos ser guiados até à verdade, o melhor a ver a ilusão como ilusão. Depois, por mera intuição inscrevi-me. E eis que isto começou. Confesso que não dei muita importância no inicio. Agora, “um qualquer coisa interior” diz-me que é por aqui…embora conceptualmente, por agora, posso aceitar que o processo “Apontar Directamente” conduza à “morte do eu” ou à revelação direta de que “o eu não existe”.

Peço perdão, Sandra, pela extensão. Deixei-me levar.
Confesso que embora estar “viagem” – que suspeito sem retorno, posto que uma vez que veja a realidade, jamais posso tornar a confundi-la com a ilusão – se tenha convertido, para mim, como algo de extrema importância, devolvendo-me a sensação de que “é agora que vou finalmente conhecer a verdade sobre mim”…existe um medo profundo (embora intelectualmente eu possa entender e aceitar que o medo se prenda com uma resposta do “eu querer sobreviver” à verdade). Um medo, de afinal “eu não existir”. Porque, mesmo que o aceite conceptualmente e faça todo o sentido, “o que seria…se, de facto, eu descobrisse por mim mesmo, por meio da orientação da Sandra, que afinal…”não existo”.


“Enquanto durar esta conversa era bom se deixasses de ler e ver vídeos de pessoas a falar sobre estes assuntos”



Assim o farei. Embora seja profundamente difícil contrariar o habito gigante de ler diariamente qualquer coisa de conteúdo espiritual. Entendo porquê. Chega de conceitos e ideias que deliciam a minha mente. É necessário que “veja” na minha experiencia directa. (terminei à pouco os livros “Enlightenment Quotes” e “Gateless” de LU).



“Se o eu existe, tem que ser fácil de encontrar como um molho de chaves ou um copo ou um gato. Tem de ser algo de objectivo e separado que existe aqui, nesta realidade”



Sim, entendo-o. Se não penso sobre “quem ou o que sou”, não consigo verificar a existência do eu. É o pensamento que me devolve a noção ou a sensação de que o eu existe. Durante muitos anos, acreditei que que eu era os pensamentos, depois surgiram aos meus olhos uma imensidão de livros que sublinham que “eu não sou os meus pensamentos” mas “eu sou aquele que os pensa”, “sou a presença ou a testemunha dos pensamentos”, “a consciência na qual os pensamentos despontam”.
E, pude verificar por mim mesmo de que assim é. Consegui, até mesmo, “sentir o corpo interior” que Eckhart Tolle nos ensina, de uma forma duradoura. A acrescentar esta realidade, Byron Katie (que acompanho e estudo há cerca de 10 anos) faz-me reconhecer que “ sofro quando acredito nos pensamentos contrários à realidade” e isto torna-se filosofia de vida para mim. A problemática emergiu quando, “Liberartion Unleashed” me afirma que “ o eu não existe”. Uau!!! Faz-me sentido. Mas esta sensação de sentido vem acompanhada de medo. Mas medo de quê?


“será que sentir algo prova que esse algo existe?"

Claro que não. Obrigado pelo exercício da melancia, Sandra. Tens toda a razão. Costumo fazer um exercício similar: “O do limão” no sentido de verificar por nós mesmos que a mente produz o ilusório. De facto, se imaginar…a mente produz a sensação como se fosse real o que se imagina.

Confesso que, em relação “à sensação de ter um eu” nunca tinha pensado sobre isso. Então, de onde vem esta sensação de que estou aqui e agora tocando neste teclado, diante do monitor, a escrever-te? A sensação de que existo aqui e agora vem do que penso? É o que o LU sublinha quando diz “não há o eu. Existe apenas o que acontece neste momento”. Certo. Consigo, centrar-me neste AGORA mas não há eu?

A sensação de existir que me acompanha desde sempre…vem unicamente dos pensamentos? Aceito que “ se não pensar” “sou Um” com as coisas, com o momento, mas e o eu? É certo que sei que “não sou o ego”…mas acredito que sou “o ser” ou a “presença” que está por detrás dos pensamentos.

Ajuda-me a entender, Sandra. E mais do que tudo, a “ver” pela minha experiencia direta.
Obrigado pela tua sensibilidade e serviço. Simplesmente estupendo.

Obrigado por tudo, Sandra!!!

Cumprimentos, João.

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Tue Aug 23, 2016 8:42 am

Bom dia, uma vez mais,Sandra!!!
Perdoa-me a longa análise, quase de caris filosófico, da ultima resposta. Comprometo-me a responder apenas a partir da minha experiência directa.De facto, poderá constituir um obstáculo.
Obrigado!
Abraço, João.

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Re: João

Postby Canfora » Tue Aug 23, 2016 2:58 pm

Olá João!

Antes de mais gostaria de te dizer para não te preocupares por escreves muito ou pouco ou com o conteúdo das tuas respostas. Este processo é o teu e como tal é único. O meu papel é guiar-te o melhor que posso, de forma a conduzir-te a um determinado tipo de experiência/realização.

O que quer dizer que por vezes posso ou não fazer comentários sobre aquilo que escreves e por vezes é possível que te proponha fazeres um exercício ou te faça perguntas sobre a tua experiência imediata. Imagina que somos dois amigos a percorrerem um caminho que eu conheço porque já o percorri muitas vezes e que te vou apontando para aquilo que eu quero que vejas, para veres por ti próprio o que está a acontecer aqui e agora. É um processo muito simples, que por vezes não parece ser fácil porque geralmente há uma imensidão de expetativas e receios que tem de ser vistos, trabalhados, ultrapassados... ou não. Por vezes basta um olhar.

Não te preocupes por não usar a função quote, compreendo perfeitamente o que escreves. Ainda bem que estás a escrever num processador de texto. Por vezes este site faz com que tudo o que se escreveu desapareça, é boa ideia teres o que escreves noutro sítio.
Que alegria podermos manter este dialogo…Jamais pensei na possibilidade de ter alguém que me conduzisse directamente a ver a verdade. Uma multiplicidade de livros de substancia espiritual penetraram na minha mente, ao longo dos anos, configurando o modo singular como vejo a mim mesmo e o mundo. Poderia levantar a questão: “Quem seria eu sem as crenças que essas leituras produziram?”. De facto, não sei. Sem o pensamento ou sem o sistema de pensamento que me devolve a segurança de ser eu mesmo, talvez me visse a mim mesmo tal como sou na realidade: Presença, consciência, Ser sem qualquer identificação. Ou, como o LU sublinha…seria nada, posto que o eu não existe.
Muito interessante a forma como tens consciência de que as leituras te dão segurança. Li compulsivamente durante anos e entendo a 100% o como os livros nos podem parecer mais próximos, mais amigos, mais aconchegantes, do que o que nos rodeia.
Se num certo sentido, a busca espiritual incessante procurou responder ao “vazio”, a profunda insatisfação interior que carregava em mim, por outro lado, autores da “não dualidade” chegaram a mim justamente num período no qual despontou dentro de mim um profundo sofrimento gerado por chegar à conclusão que o pensamento dito espiritual não respondia à minha insatisfação. Por mais que lesse – e leio compulsivamente – que fizesse mindfulness, silva mind control, estudasse “um curso em milagres” e até mesmo realizasse “O trabalho” (o mais belo instrumento de “regresso a mim mesmo” que conheço) diariamente e diante de cada sofrimento, dentro ficava-me uma sensação permanente de que talvez eu fosse portador de “algo” de muito errado, posto que em comparação com a maioria…chegara à conclusão que a leitura espiritual conduzia-me sempre e inevitavelmente ao mesmo destino. Neste processo de insatisfação chegou-me às mãos livros que não só apontavam que “eu não sou o ego” como também “eu não existo”.
A busca espiritual é uma forma de tentar controlar, evitar, superar, a insatisfação que podemos sentir agora, a ideia de que há algo de errado connosco. Infelizmente, como dizes e muito bem, não funciona. Pois é. Essa também foi e é a minha experiência.
Conceptualmente, consigo aceitar estar verdade, Sandra. Seguramente, faz todo o sentido para mim. Face à insatisfação que os chamados “caminhos” ditos espirituais me devolvem, suspeito que a verdade seja tão simples que não consigo parar para ver. Não obstante, os chamados gurus neo advaita sublinhem a simplicidade da “iluminação”, e apesar de ter muitos insights, “aha”, com a realização do “trabalho”, ou com a leitura de livros de Kilobi, Eckhart, entre MUITOS………, Sandra, não consigo encontrar esse estado de lucidez permanente ou…”não consigo ver, de uma vez por todas, que “o eu não existe”. Depois encontrei o site “Liberation Unleashed” no qual, num 1º momento, não me dei conta que existia um fórum no seio do qual poderíamos ser guiados até à verdade, o melhor a ver a ilusão como ilusão. Depois, por mera intuição inscrevi-me. E eis que isto começou. Confesso que não dei muita importância no inicio. Agora, “um qualquer coisa interior” diz-me que é por aqui…embora conceptualmente, por agora, posso aceitar que o processo “Apontar Directamente” conduza à “morte do eu” ou à revelação direta de que “o eu não existe”.
Tens aqui algumas expectativas a aparecer... Se reparares, as expectativas que temos são sempre sobre um futuro imaginário (e, já agora, sobre um eu imaginário!).
não consigo encontrar esse estado de lucidez permanente
Alguma vez experimentaste um estado que seja permanente? O que é que seria um estado de lucidez permante? Não ter dúvidas ou ver a realidade de uma forma diferente de como a vez agora?
ver, de uma vez por todas
É possível saber que algo é uma ilusão e mesmo assim continuar a ver a ilusão. O que quero dizer é que a ilusão não desaparece subitamente, à semelhança do que acontece com a impressão de que a Terra é plana, a água do mar é colorida, o arco-iris tem solidez ou as miragens no deserto são reais.
posso aceitar que o processo “Apontar Directamente” conduza à “morte do eu”
Ui. Percebo o que queres dizer, mas para o eu morrer tem de existir primeiro.
Durante muitos anos, acreditei que que eu era os pensamentos, depois surgiram aos meus olhos uma imensidão de livros que sublinham que “eu não sou os meus pensamentos” mas “eu sou aquele que os pensa”, “sou a presença ou a testemunha dos pensamentos”, “a consciência na qual os pensamentos despontam”.
E, pude verificar por mim mesmo de que assim é.
Em futuros posts vamos olhar cuidadosamente para os pensamentos para ver se isto é verdade.
A problemática emergiu quando, “Liberartion Unleashed” me afirma que “ o eu não existe”. Uau!!! Faz-me sentido. Mas esta sensação de sentido vem acompanhada de medo. Mas medo de quê?
Sentir medo durante este processo é normal. Medo e outras sensações intensas. É bom saber que tens consciência desse medo.

Quando sentires medo, foca-te no medo.

Repara que o medo é um mecanismo de proteção. O medo é como uma porta, que faz com que não vejas o que está atrás da porta. Mas é apenas medo. Não faz mal que apareça, está só a fazer o seu trabalho. Permite que o medo exista, repara na sua presença com respeito e gratitude, repara onde sentes o medo fisicamente no corpo. Nota as sensações.

O que é o medo?
O que é que o medo está a proteger?
O que é que precisa de ser protegido?
O que é que se sente ameaçado?

Pergunta ao medo porque é que está presente, o que está a tentar dizer-te, pede ao medo para partilhar a sua sabedoria.

Se não existe um eu, não existe nada que precise de proteção...

Honra esse sentimento, agradece-lhe por fazer o seu trabalho. Repara que está aqui para proteger, é um amigo, que te indica para onde olhares, aponta para o que está escondido.

Agora olha para o que está por detrás do medo.
Há alguma coisa atrás do medo?
Se sim, o quê? E o que é que está por trás disso?
(repara que o silencio não é a ausência de resposta, é a resposta)

Abraço,
S

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Canfora
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Re: João

Postby Canfora » Tue Aug 23, 2016 3:01 pm

Carreguei no Submit sem querer. Mas escrevi tanto que acho que não vale a pena acrescentar o que quer que seja agora :)

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Fri Aug 26, 2016 8:11 am

Olá Grande Sandra!!! Bom Dia!!!

Não podes imaginar quão contente fico por te saber desse lado!!!
Toda a substancia da tua orientação é luz para mim. Percorrer o caminho contigo – e tu já o conheces porque já o percorreste – e render-me totalmente à tua orientação, olhando unicamente para aquilo que me apontas, na intencionalidade de ver a “realidade tal como é” por mim próprio afigura-se um desafio esmagador porque implica “render-me” inteiramente, confiar completamente, deixar cair tudo.

É estupendo saber que, tal como eu, foste uma leitora compulsiva, Sandra, talvez porque o facto de o saber me devolve alguma segurança. Não sei muito bem para serve esta segurança. Ou talvez até o saiba: Uma tentativa de salvaguardar o conhecido? A ideia de que “o eu” tem em si um pouco de realidade? Mas, não posso arrancar de dentro de mim, pelo menos por enquanto, a ideia ou a sensação da completa insatisfação pela busca espiritual.


“Tens aqui a aparecer…se reparares, as expectativas que temos são sempre sobre um futuro imaginário (e, já agora, sobre um eu imaginário!)”.


Pois tenho, Sandra. Carrego uma multiplicidade de expectativas sobre o que acontecerá quando ver a verdade para o qual me vais apontando. No mais profundo de mim, transporto o desejo de aliviar este “vazio interior” que me impeliu a buscar a mim mesmo, a Deus, ao sentido da existência e ao propósito de estar aqui e agora. E, saber que tu, assim como outros, viram a verdade, renderam-se e encontraram a paz interior, produz inevitavelmente uma imensidão de expectativas em mim.

“Alguma vez experimentaste um estado permanente? O que é que seria um estado de lucidez permanente? Não ter duvidas ou ver a realidade de uma forma diferente de como a vez agora?”


Definitivamente, jamais experimentei um estado permanente. Concebo um estado de lucidez permanente, ver a realidade de uma forma diferente, vê-la tal como ela é, e apesar de reconhecer a ilusão, não mais me deixar confundir por ela. Jamais conseguiremos descrever a cor azul a um cego. Podemos tentar, mas no fim chegaremos à conclusão de que é impossível. Porquê? Porque ele é cego. Mas, uma vez que ele consiga, por si mesmo, recuperar a visão. Então não mais será preciso explicar-lhe o que é a cor azul. Ele vê-la-á por si mesmo. E as palavras não serão mais precisas. No entanto, poderá haver períodos nos quais a sua visão poderá ficar comprometida, dificultando a visualização da cor azul. Mas, porque ele já a viu, não necessitará mais esforço para saber novamente o que ela é. Talvez, seja neste ponto, onde se focalizam as minhas maiores expectativas. “ver a realidade” e, por isso, encontrar aquela paz inefável que desejamos com todo o ser.

“(..) Mas para o eu morrer o eu tem de existir primeiro”


Sinto que nesta premissa está o coração de toda esta viagem. Compreendo o que dizes, Sandra. Mas como sou portador da sensação de que o “eu existe”, a sua morte afigura-se lógica (mesmo se acredito que nisto tudo, não entra a logica, mas a experiência imediata ou directa). Claro que, se o eu não existe, a morte não existe posto que só pode morrer aquilo que tem existência. Ai, ai, ai. É aqui, que está a minha ferida. Acredito que o eu existe. Mesmo que conceptualmente faça sentido a sua inexistência, em mim continua a irromper este desejo de sobrevivência, de salvaguardar o que ainda penso que sou. Tenho de ser totalmente honesto comigo: Se o meu eu não existe, porque é que estou aqui, neste corpo, neste mundo, neste momento, neste espaço, diante do computador, escrevendo-te, Sandra? O que é este “algo” (talvez somente pensamentos) que dispara de dentro de mim, reclamando existência, quando se levanta a ideia de que o eu não existe (sim, porque a inexistência do eu é apenas uma ideia até que possamos “ver” na nossa experiência de que a inexistência é verdade. Quando falo de morte do eu, denuncio-me porque isso implica que acredito que o eu existe. Mas, como as crenças não provam nada, eis que se afigura necessária a “experiência direta”, ver por mim mesmo se o eu existe, aqui e agora. Faço-me esta questão. E ainda tenho algum medo de descobrir que é verdade, que o eu não existe. Mas se não existe mesmo, não é necessário o medo, verdade Sandra? Se o medo, se o medo que me assiste irrompe na intencionalidade de proteger ou salvaguardar algo, quão ridículo será querer salvaguardar algo que não existe. Mas como posso provar que eu não existo? Se eu não existo, não posso descobri-lo. Verdade? Pescadinha de rabo na boca.

“Sentir medo durante este processo é normal”

.
Um terrível medo, Sandra, é o que sinto. Afinal quem quer reconhecer que afinal nunca existiu? Mas se nunca existiu, quem é que reconhece o quê?
Quando me foco no medo, conforme me aconselhas Sandra, parece que ele se esbate ou se desvanece. Talvez porque a mente procura logo arranjar uma distracção mental para salvaguardar a sua existência. Não sei bem se é assim. Entendo que o medo, seja uma porta, grande Sandra, porque, parece-me, ele só existe na medida em que eu acredito que o eu existe. Uma vez que eu veja mo medo, neste ângulo, penso que ficará mais fácil, reconhecer que o eu é uma ilusão. Aquilo que ele protege? Sinceramente não sei. Mesmo se conceptualmente irrompe a lógica de que ele salvaguarda algo que deseja manter-se de pé. O que necessita ser protegido? Como o medo é um mecanismo de protecção, ele protege o eu. Mas se o eu não existe, nada necessita de ser protegido e nesse sentido o medo também é uma ilusão. Uma ilusão que protege uma ilusão.

O que é que está atrás do medo, Sandra? Não sei. Sinto que é o eu (ou a ideia ilusória dele). Ou melhor, o medo emerge sempre que existe algo que põe o eu em causa. Mas ainda não vi, na experiência directa que o eu, na verdade, não existe. E é justamente por isso, que estamos os dois aqui. Eu que quero despertar (mesmo se conceptualmente aceito que não há despertar, posto que não há eu) e tu que gentilmente me guias.
Obrigado por tudo, Sandra. É bom saber que estás ai e que já percorreste o caminho que amorosamente me apontas.
Abraço, João

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Re: João

Postby Canfora » Fri Aug 26, 2016 1:22 pm

Viva João!
olhando unicamente para aquilo que me apontas, na intencionalidade de ver a “realidade tal como é” por mim próprio afigura-se um desafio esmagador porque implica “render-me” inteiramente, confiar completamente, deixar cair tudo.
Para veres a realidade tal como ela é basta olhares para o que te rodeia aqui e agora. É tão simples quanto isso. Sugiro que passes alguns minutos a "olhar para a realidade":
- ouvir está a acontecer
- ver está a acontecer
- sensações estão a acontecer
- cheirar está a acontecer
- pensar está a acontecer
- ....
Para além desta... existe outra realidade?
Concebo um estado de lucidez permanente, ver a realidade de uma forma diferente, vê-la tal como ela é, e apesar de reconhecer a ilusão, não mais me deixar confundir por ela. Jamais conseguiremos descrever a cor azul a um cego. Podemos tentar, mas no fim chegaremos à conclusão de que é impossível. Porquê? Porque ele é cego. Mas, uma vez que ele consiga, por si mesmo, recuperar a visão. Então não mais será preciso explicar-lhe o que é a cor azul. Ele vê-la-á por si mesmo. E as palavras não serão mais precisas. No entanto, poderá haver períodos nos quais a sua visão poderá ficar comprometida, dificultando a visualização da cor azul. Mas, porque ele já a viu, não necessitará mais esforço para saber novamente o que ela é. Talvez, seja neste ponto, onde se focalizam as minhas maiores expectativas. “ver a realidade” e, por isso, encontrar aquela paz inefável que desejamos com todo o ser.
Lucidez permanente e paz interior inefável parecem-me ser utopias. Mas o resto sim, é por aí.
Mas como sou portador da sensação de que o “eu existe”, a sua morte afigura-se lógica (mesmo se acredito que nisto tudo, não entra a logica, mas a experiência imediata ou directa).
Repara que escreveste
sou portador da sensação de que o “eu existe”
Se observares esta experiência "sensação de que o eu existe" o que te leva a pensar que sentes um eu real? O que é que descobres? Um eu real ou uma sensação + pensamento "isto sou eu"?
Claro que, se o eu não existe, a morte não existe posto que só pode morrer aquilo que tem existência. Ai, ai, ai. É aqui, que está a minha ferida. Acredito que o eu existe. Mesmo que conceptualmente faça sentido a sua inexistência, em mim continua a irromper este desejo de sobrevivência, de salvaguardar o que ainda penso que sou. Tenho de ser totalmente honesto comigo: Se o meu eu não existe, porque é que estou aqui, neste corpo, neste mundo, neste momento, neste espaço, diante do computador, escrevendo-te, Sandra? O que é este “algo” (talvez somente pensamentos) que dispara de dentro de mim, reclamando existência, quando se levanta a ideia de que o eu não existe (sim, porque a inexistência do eu é apenas uma ideia até que possamos “ver” na nossa experiência de que a inexistência é verdade. Quando falo de morte do eu, denuncio-me porque isso implica que acredito que o eu existe. Mas, como as crenças não provam nada, eis que se afigura necessária a “experiência direta”, ver por mim mesmo se o eu existe, aqui e agora. Faço-me esta questão. E ainda tenho algum medo de descobrir que é verdade, que o eu não existe. Mas se não existe mesmo, não é necessário o medo, verdade Sandra? Se o medo, se o medo que me assiste irrompe na intencionalidade de proteger ou salvaguardar algo, quão ridículo será querer salvaguardar algo que não existe.
Não há nada de ridículo no medo da morte. É, penso eu, o medo mais básico que existe. O medo da morte está ligado à identificação com o corpo. Tal como escreves acima existe uma crença na ideia de que "estou aqui, neste corpo". Vamos falar sobre o corpo em outros posts.
Quando me foco no medo, conforme me aconselhas Sandra, parece que ele se esbate ou se desvanece. Talvez porque a mente procura logo arranjar uma distracção mental para salvaguardar a sua existência. Não sei bem se é assim. Entendo que o medo, seja uma porta, grande Sandra, porque, parece-me, ele só existe na medida em que eu acredito que o eu existe. Uma vez que eu veja mo medo, neste ângulo, penso que ficará mais fácil, reconhecer que o eu é uma ilusão. Aquilo que ele protege? Sinceramente não sei. Mesmo se conceptualmente irrompe a lógica de que ele salvaguarda algo que deseja manter-se de pé. O que necessita ser protegido? Como o medo é um mecanismo de protecção, ele protege o eu. Mas se o eu não existe, nada necessita de ser protegido e nesse sentido o medo também é uma ilusão. Uma ilusão que protege uma ilusão.

O que é que está atrás do medo, Sandra? Não sei. Sinto que é o eu (ou a ideia ilusória dele). Ou melhor, o medo emerge sempre que existe algo que põe o eu em causa. Mas ainda não vi, na experiência directa que o eu, na verdade, não existe.
Lê o que escreveste sobre o medo. Escreveste os teus pensamentos sobre o que o medo é, sobre a razão da sua existência, etc. O sugerido não era pensar sobre o que está a acontecer e sim observar e descrever o que está a acontecer. Escreveste e muito bem sobre a diferença entre ver ou conceptualizar a cor azul. De acordo com essa distinção, esta tua resposta sobre a experiência do medo é 99,9% conceptual. Consegues ver isso?


Observa. O que é que o medo está a tentar proteger? Há um eu atrás desse medo, que está em perigo? Um eu que pode desaparecer, deixar de existir?

Mas ainda não vi, na experiência directa que o eu, na verdade, não existe.

Se isto é verdade, qual é então a tua experiência direta de que o eu existe? :)

Se começares a sentir frustração ou a pensar que não consegues ver aquilo que eu te estou a apontar, devo dizer-te que essa dificuldade é muito normal. Não acredites nesses pensamentos... ;-)
Este processo pode parecer um grande desafio porque estamos condicionados a procurar respostas usando o pensamento. Mas neste inquérito os pensamentos atrapalham.

Abraço,
S

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Fri Aug 26, 2016 2:53 pm

Obrigado de coração; Sandra!!! É sempre luz para mim a chegada da tua orientação. Então vamos lá...

"Se começares a sentir frustração ou a pensar que não consegues ver aquilo que eu te estou a apontar, devo dizer-te que essa dificuldade é muito normal. Não acredites nesses pensamentos... ;-)
Este processo pode parecer um grande desafio porque estamos condicionados a procurar respostas usando o pensamento. Mas neste inquérito os pensamentos atrapalham".

Sim, emergem sentimentos de frustração - um pouco porque a lógica deseja entrar no processo de compreensão...e apesar do processo apelar unicamente ao reconhecimento directo do que está aqui e agora, a mente não pára - e existe muita expectativa em mim em relação a tudo isto. Reconheço-o honestamente. E, sim, irrompem pensamentos de que não sou e não serei capaz de ver o que me apontas, Sandra. "É normal": sublinhas. Mas, é fácil despontar a identificação com os pensamentos que apontam essa dificuldade. Jamais conseguiremos deter o fluxo dos pensamentos, mas vou ignorá-los.

"Para além desta... existe outra realidade?"

Não. De facto, para alem daquilo que vejo, neste instante, não pode haver outra realidade. O pensamento pode entreter-me e construir "histórias" mas, o que verdadeiramente existe está aqui e agora. Diante de mim. Neste exacto momento. Nada mais. Compreendo conceptualmente que o eu esteja intrinsecamente na mesma dinâmica. A crença na existência do meu eu é a raiz de todas as "historias" construídas pelos meus pensamentos sobre a realidade.

"Repara que escreveste sou portador da sensação de que o “eu existe”
"Se observares esta experiência "sensação de que o eu existe" o que te leva a pensar que sentes um eu real? O que é que descobres? Um eu real ou uma sensação + pensamento "isto sou eu"?"

Ui. Agora começa a apertar. Não consigo separar o eu da sensação que tenho dele. O que me leva a pensar que ele é real é o facto de tecer pensamentos sobre ele.Quando não tenho pensamentos sobre a sua existência, não sinto o "eu". Embora, considere que ele existe mesmo sem o sentir quando não penso sobre ele. O que descubro, depois de ler o que me escreveste, reconheço que existe apenas a sensação + o pensamento sobre ela. E o resultado desta conta: considero que o eu existe. Mas, se esta presumível existência decorre apenas da "sensação", talvez o eu não exista. Estou " num beco sem saída" quanto á existência do eu. Quanto ao reconhecimento de que ele não existe de verdade. E calculo que a verdade seja evidente, óbvia e simples, mesmo se não é vista. PODES AJUDAR-ME NESTE PONTO, SANDRA!?


"Lê o que escreveste sobre o medo. Escreveste os teus pensamentos sobre o que o medo é, sobre a razão da sua existência, etc. O sugerido não era pensar sobre o que está a acontecer e sim observar e descrever o que está a acontecer. Escreveste e muito bem sobre a diferença entre ver ou conceptualizar a cor azul. De acordo com essa distinção, esta tua resposta sobre a experiência do medo é 99,9% conceptual. Consegues ver isso?"


Sim, Sandra. De facto, escrevi apenas sobre aquilo que penso sobre o medo. E, seguramente, sinto-o exclusivamente por causa dos pensamentos. se não pensasse, não sentiria medo. Perdoa-me por tê-lo feito. O processo apela unicamente a observar e descrever, e não a pensar, sobre o que está a acontecer. Mas, não sei descrever o medo sem pensar sobre ele.

Sandra, permite-me corrigir o valor numérico que coloquei no questionário relativamente ao desejo de saber a verdade. Na altura, coloquei 8, aqui e agora, coloco 10.

Obrigado por tudo...pela tua sensibilidade e pelo teu serviço gratuito...e pela tua compreensão em relação à minha dificuldade e frustração.
Abraço, João

Nota: Não está a ser fácil...não ler nada sobre o assunto. Sou um leitor compulsivo, Sandra.
Tenho, no entanto, feito o "the work" diariamente.
Começo a achar que o "direct Pointing" se afigura o passo seguinte ao "the work" de BK.
Obrigado!!!

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Canfora
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Re: João

Postby Canfora » Fri Aug 26, 2016 4:02 pm

Viva João!
Não consigo separar o eu da sensação que tenho dele.
Interessante. Agarra em qualquer coisa que tenhas por aí à mão de semear. É fácil verificar que essa coisa existe, não é? Podes tocar, ver, cheirar e talvez saborear e cheirar essa coisa. É assim que podes afirmar "há uma garrafa de água ao meu lado na secretária".

Se existe realmente um eu, tem que estar presente aqui e agora, da mesma forma que tudo o que existe aqui está presente. Tem de estar fisicamente presente, tem que ser separado das outras coisas que existem, tem que ser percepcionável.

Onde está este eu que não consegues separar de uma sensação? Que dimensão é que tem? Que cores tem? A que é que sabe? Onde é que o vês? Onde é que este eu começa e acaba?
Sim, Sandra. De facto, escrevi apenas sobre aquilo que penso sobre o medo. E, seguramente, sinto-o exclusivamente por causa dos pensamentos. se não pensasse, não sentiria medo. Perdoa-me por tê-lo feito. O processo apela unicamente a observar e descrever, e não a pensar, sobre o que está a acontecer. Mas, não sei descrever o medo sem pensar sobre ele.
Oh senhores, não é preciso pedir perdão por escreveres sobre o conteúdo dos pensamentos, sobre a história que eles contam. E sim, para escrevermos sobre algo é preciso pensar.
O que descubro, depois de ler o que me escreveste, reconheço que existe apenas a sensação + o pensamento sobre ela. E o resultado desta conta: considero que o eu existe. Mas, se esta presumível existência decorre apenas da "sensação", talvez o eu não exista. Estou " num beco sem saída" quanto á existência do eu. Quanto ao reconhecimento de que ele não existe de verdade. E calculo que a verdade seja evidente, óbvia e simples, mesmo se não é vista. PODES AJUDAR-ME NESTE PONTO, SANDRA!?

Existem sensações e pensamentos sobre o eu João. Mas se tentares encontrar este João, começas a pensar em círculos e os pensamentos sobre o eu João parecem dar realidade a esse eu.

calculo que a verdade seja evidente, óbvia e simples, mesmo se não é vista
Bom, consegues ver um eu? Cheirar um eu? Tocar um eu? Ouvir um eu? O eu existe fora do corpo? O eu existe dentro do corpo? O que é que há aqui e agora que faça com que os pensamentos sobre um eu sejam verdade?
Sandra, permite-me corrigir o valor numérico que coloquei no questionário relativamente ao desejo de saber a verdade. Na altura, coloquei 8, aqui e agora, coloco 10.
Fantástico. Estás a ir muito bem João. Não te preocupes com dar as respostas certas, com o tempo que isto leva, com o que a Sandra pode pensar, etc e tal. Tudo está a acontecer tal como tem que acontecer.
Nota: Não está a ser fácil...não ler nada sobre o assunto. Sou um leitor compulsivo, Sandra.
Compreendes bem o inglês, não é? Sugiro que leias as conversas que estão a acontecer no forum "The Gate" http://liberationunleashed.com/nation/viewforum.php?f=4. Os guias têm todos formas de guiar diferentes, mas apontam todos para a mesma coisa e algumas destas conversas são fascinantes :)

Abraço,
Sandra

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jpaulo
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Re: João

Postby jpaulo » Mon Aug 29, 2016 1:52 pm

Viva Sandra!!!
Aqui estou!!! Não tem sido fácil encontrar tempo para me sentar diante do computador e, deste modo, estar contigo, e reiniciarmos esta viagem de volta a casa (de volta a quem ou a quê?) ou melhor o percurso movido pelo desejo em reconhecer “a verdade” sobre a minha existência ou não. Mas, eis-me aqui e agora, para retomarmos a nossa fantástica conversa.

Até à bem pouco tempo, Sandra, transportava em mim a crença, e tudo era visto a partir dela, de que “não sou um ego, mas aquele que tem consciência disso…seja consciência, presença, ou testemunha…chamemos os nomes que quisermos”, agora impõe-se uma outra realidade – que começo a reconhecer como “A” realidade – a de que, “o eu não existe”…não só não sou os pensamentos (e isto afigura-se uma certeza absoluta e obvia), não só os pensamentos são todos ilusórios (não são a verdade tal como se apresenta diante de nós) como também “Não sou o eu”, “o eu não existe”.

A questão que se levanta na minha interioridade é que “quero ver, por mim mesmo, que a inexistência do eu é a verdade” (e levanta-se a questão: quem é este eu que quer ver que o eu não existe?) e de modo algum desejo que isto se torne mais um pensamento, ou um sistema de pensamento, no qual acredito mas sem verificação directa. Os jogos da mente são tão subtis e persistentes que, procuram que eu descarte, por assim dizer, a possibilidade de verificar na experiencia imediata e directa a “inexistência do eu”. O pensamento de que “o eu não existe” ao invés de, num primeiro momento, ameaçar – dado que que o seu conteúdo aponta precisamente para a ilusão do eu – procura converter-se numa crença. Mas, nada disto apela à lógica e ao pensamento mas à experiencia imediata. É necessário que eu verifique por mim mesmo, com a tua ajuda, Sandra, de que “ o eu não existe”. E não se trata apenas de eliminar o sofrimento, posto que se o eu não existe, o sofrimento será desnecessário (quem ou o quê é que sofre?. O sofrimento só existe porque existe a noção de que “isto é mau” e “isto é bom” e porque há separação entre o pensamento e aquilo que ocorre, surge o eu. Mas chega de divagações).


“Se existe um eu, tem que estar presente aqui e agora, da mesma forma que tudo o que existe aqui está presente”


Fiz o exercício de agarrar um copo. E verifiquei que o toque permite-me reconhecer que ele existe. Posso afirmar, deste modo, “este copo existe”. Mas se o eu existe, também tem de estar presente agora…e parece-me que não está aqui. Estão os pensamentos que despontam em mim sobre ele, sobre ele de facto está aqui, sobre a necessidade de encontrar um resposta a esta questão. “A” questão.
Se os pensamento que , aqui e agora, surgem sobre o eu, são o próprio eu, então, sim, o eu está aqui e existe. Mas os pensamentos não podem ser o eu, são sobre ele, mas não são o eu. A lógica dirá que o eu é aquele que os pensa. Mas quando penso sobre “aquele” que pensa os pensamentos, verifico que isso é mais um pensamento. Não é o eu. É o pensamento sobre aquele que pensa os pensamentos. E, curiosamente, descubro que é mais um pensamento. Logo, na realidade, só existem os pensamentos.
Não há o eu que os pensa. Bingo!!!

No entanto, custa-me a acreditar nesta evidencia, Sandra. Anos de habito, a acreditar que sou um eu. Custa-me a acreditar que seja, agora, tão evidente. Há em mim um misto de alegria e de medo. Porque alegria? Porque a verdade é tão obvia ou parece-me (seguramente, ainda me falta muito para reconhecer consistentemente a verdade, como tu). E medo? Porque isso implica que o mundo, tal como o conheço, começa a desmoronar. Nada do que vejo é real porque aquele que vê não é real. São apenas pensamentos. O copo é real, o mundo é real, mas a forma como os vejo não é. Porque “o eu não é real”. E se o meu “eu” não é real, se não existe…o que existe? A própria vida? As coisas a acontecerem? O aqui e agora sem aquele que percepciona?

Consigo sentir o copo que tenho na mão. Mas apesar do eu ser também uma sensação. Não o sinto agora, não tem dimensão e não consigo vê-lo. Não consigo afirmar que está dentro deste corpo e que, por isso, começa aqui dentro e que as coisas “fora”, começam onde termina o corpo.
Se o eu é apenas mais um pensamento sobre aquele que pensa pensamentos, o eu não existe. Eureka!!!

E, há uma alegria vibrante dentro de mim...ao reconhecer a experiência directa de que aqui e agora aquilo que me devolve a sensação de que existe um eu é apenas um pensamento e um pensamento não é um eu é somente um pensamento.ão obstante óbvio, será que não te temos mesmo identidade, Sandra? E reconheço que uma vez mais que também isto é um pensamento. E neste reconhecimento a alegria retorna, um alivio se instá-la, uma liberdade, ainda suave mas real.

Estou completamente seduzido pelo "direct Pointing", Sandra (e reconheço as expectativas nisso). Depois de tantossssss anos de busca, leitura, encontros, meditações...eis que surgiu este processo de Inquerito. E tenho tanto a agradecer-te, Sandra, pela tua profunda disponibilidade e orientação.

Temo, com honestidade, o desmoronar do mundo que construi. E, no fundo, sinto uma profunda ameaça a tudo o que, durante anos e anos, pensei que era real. Leituras foram-me apontando de que nada do que eu vejo é real. Mas, agora, aqui e agora, questionar-me verdadeira e honestamente sobre tudo isso...começa a conduzir-me ao reconhecimento de que o mundo, aqui e agora é real, este copo é real, aquele que os vê e pensa que ele próprio é real...não existe.

Como é possivel, Sandra? Ainda não estou suficientemente seguro de que é assim. Custa-me a reconhecer o obvio, o rireto e imediato. Mas será mesmo a minha experiência direta e mediata que reconhece que o eu não existe...ou serão tambem os pensamentos sobre ela? E será este esforço em aceitar obvio, a tentativa do eu querer manter-se de pé?.

Obrigado, Sandra. Recebe um abraço.


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