Sim, eu acho que quem começa a fazer esta exploração sente a urgência de se realizar, de se libertar. Eu sentia. Assim como a necessidade de mudar, de deixar de ser como sou. Mas, de certa forma, esta exploração não leva propriamente à realização, à libertação, à mudança. A imagem que me aparece sempre quando penso nisto da urgência da busca é a de um balão muito cheio, prestes a rebentar, o qual, à medida que esta exploração avança, vai perdendo gradualmente ar.
É improvável que esta exploração te leve a uma meta onde alcances a realização definitiva e a libertação absoluta. Mas é muito possível que, a determinada altura, o balão fique vazio, deixes de sentir essa urgência e te burrifes para esse ideal de alcançar a perfeição. O que é muito libertador! Este não é um caminho que leva à transcendência, é um caminho que leva a uma maior compreensão e aceitação.
Ao longo desta "caminhada" tem surgido muita dúvida, suponho que isso faça parte. É curioso e quase cómico é que quando penso assunto passado uns dias já o vejo numa perspetiva diferente.
Sim, é normal. As nossas perspectivas mudam. Mas repara que a "paisagem" é sempre a mesma. O que existe está presente aqui e agora. É o que neste momento podes ver e sentir - independentemente da tua perspectiva atual. E é nessa "paisagem" que podes ver aquilo para que eu estou a apontar. A perspectiva pessoal vai continuar a aparecer, mas é sempre possível ver o que está aqui, tal como é.
Mas para isso tens de por de lado aquilo que pensas sobre o que está aqui e as tuas expetativas sobre o que gostarias que acontecesse, assim como os teus medos.
Basta olhar. Se um eu existe, tem de estar aqui. Assim sendo, se um eu real existe, tens de conseguir encontrá-lo. O que é que acontece quando procuras um eu? O que é que vês? O que é que não vês?
Essse eu que tem dúvidas, se sente confuso e procura realizar-se e libertar-se... consegues encontrá-lo?