Olá Ronnie, bom dia.
Muito boas respostas! Sim, se compararmos a nossa experiência do tempo com as nossas ideias sobre o tempo é paradoxal. E esta coisa de o eu ser uma ilusão é tão paradoxal como o tempo. Pensamos no tempo como algo liniar, para que faça sentido - porque quando pensamos em coisas abstratas usamos as ferramentas que temos em mão e que nos permitem aparentemente compreendê-las. Mas essas ferramentas só se aplicam à compreensão de coisas concretas. Por isso imaginamos o tempo como imaginamos o espaço, algo com existência e características físicas, como tendo um princípio, um meio e um fim.
Com o eu é o mesmo. Sendo o eu uma abstração, atribuimos-lhe caracteristas físicas: eu sinto que existo, eu estou aqui, sou um observador dentro de um corpo, etc, etc. Esta construção mental de um eu, que nos permite navegar na realidade, faz com que acreditemos na existência real de algo que é meramente abstrato. Fascinante, não é? :)
A linguagem é uma das razões pela qual a ilusão parece tão real. Temos a tendência para pensar que as palavras "apontam" para a realidade concreta. Mas pode não ser assim. Como neste exemplo:

As palavras, os rótulos que damos às cores, não estão de acordo com a experiência visual. O que é mais verdadeiro, a linguagem ou o que os olhos veem?
Experimenta este exercício sobre a linguagem e vê o que descobres - se precisares de mais de um dia para o fazer não faz mal, eu aguardo a tua resposta:
Experiência de rotulagem mental
Aqui está um exercício que examina a maneira como os pensamentos põe "rótulos" naquilo que está a ser experimentado - leva cerca de 20 minutos e vais precisar de uma caneta e papel.
Este exercício é dividido em lotes de 10 minutos. Para cada período de 10 minutos, preste atenção a qualquer sensação corporal, ou seja, existe alguma contração ou relaxamento?
Durante os primeiros dez minutos, escreve o que estás a experimentar agora usando a palavra "eu".
Por exemplo: estou sentado em uma cadeira, estou ouvindo um relógio, estou olhando para um écran de computador, estou com fome. Vá direto ao ponto, nenhuma fantasia passada ou futura, apenas uma descrição simples da experiência aqui e agora.
Depois, nos próximos dez minutos, continua a descrever o que você estás a experimentar, mas desta vez sem usar a palavra “eu”. Apenas descreve a experiência como ela está a acontecer usando verbos. Por exemplo: sentado numa cadeira, digitando, respirando, piscando, ouvindo o relógio. (Mais uma vez, observa o que está a acontecer no corpo.)
Ao final dos vinte minutos, compara as duas maneiras pelas quais a experiência foi rotulada e responda às quatro perguntas a seguir:
1. Uma das descrições é mais verdadeira do que a outra e, em caso afirmativo, qual?
2. Sem rotular, o que está aqui?
3. Os rótulos afetam a experiência ou apenas a descrevem?
4. Você notou alguma diferença no corpo?