Consegues explicar isto por outras palavras? O que é este "processo" em termos de experiência?Este "eu" é o processo em si, sendo que pertence a ele próprio.
Abraço!
Consegues explicar isto por outras palavras? O que é este "processo" em termos de experiência?Este "eu" é o processo em si, sendo que pertence a ele próprio.
Bom, não sei se consigo, mas vou tentar! Este processo é simplesmente a função da nossa consciência que inclui tudo o que é capacidade de pensar, sentir, experienciar, etc. Somos verbo e não substantivo. Não é tanto sermos um 'algo' que experiencia mas sim sermos o experienciar propriamente dito. Em termos de experiência o processo é ele próprio, é tudo aquilo que experiencio no momento presente, a minha experiência subjectiva composta por sensações, awareness do que estou a sentir e a pensar, awareness de estar aware, etc. Não sei se me consegui explicar...Consegues explicar isto por outras palavras? O que é este "processo" em termos de experiência?
É uma questão gira, sim, de facto pode-se dizer que estou a humanizar o processo no sentido de ele existir principalmente nos humanos devido à nossa capacidade de auto-consciência, mas por outro lado não quero dizer que ele é algo mais do que natural, simplesmente a natureza a manifestar-se em nós. Que não é algo "especial" e fora deste mundo e da nossa história evolutiva, simplesmente aquilo que acabou por acontecer e o que a evolução acabou impessoalmente por nos oferecer como realidade do que é ser esta espécie de animal a que se dá o nome de humano.E ao mesmo tempo fico a pensar se estás a humanizar aquilo a que chamas processo, como se este processo, em vez de ser um conceito, fosse algo de palpável, sólido e constante, algo que todos temos e carregamos connosco de um lado para o outro, armazenado algures dentro do corpo.
Pois, esse é sempre um problema :PDirias que essa tua resposta é intelectual ou experiencial?
Pensando neste exemplo específico diria que ali alguma opacidade dentro, estou agora de mãos pousadas no teclado a olhar para o espaço em branco aqui da caixa de texto, a sentir o toque dos dedos parados nas teclas, a sentir a temperatura da sala, da cadeira ao tocar no corpo, a música que sai das colunas; e, de repente, "algo" vem cá de dentro e começo a escrever a frase que acabei de escrever, ao mesmo tempo que me estou a aperceber que já estou a escrever no passado e não no momento presente, ao mesmo tempo que me estou a aperceber que não sei exactamente de onde as palavras vêm, mas que emergem de algum processo interno, etc. Não sei o que decide o que escrever, poderia responder coisas como o inconsciente ou assim mas isso seriam respostas puramente intelectuais e que não consigo experienciar, simplesmente não sei de onde vêm as palavras. Como não sei de onde vêm os desejos por exemplo, como é que eles emergem dentro de nós, porquê estes e não outros, etc. Não sei se era a isto que te referias, se respondi aquilo que estavas a perguntar!Consegues decrever como é que algo acontece? Escrever, por exemplo. O que é que acontece que faz com que escrevas a primeira palavra aqui no forum? O que é que decide o que escrever?
Ahah, é sempre um misto! Há tanto de pescadinho de rabo-na-boca no nosso "eu" como em qualquer processo de aprendizagem e interacção com a realidade. O que escrevi experienciei, mas tudo o que leio e me vou esforçando por aprender vai-me também moldando a experiência, chamando-me a atenção para certas coisas, ajudando-me a centrar o foco nesta ou naquela sensação, etc. Portanto diria que acaba por ser uma influência mútua... Mas vou tentar responder o mais ligado às sensações que conseguir! (às vezes é difícil "desligar o cérebro" e não o deixar "contaminar" a experiência directa...)Gosto muito das tuas respostas, mas tenho alguma dificuldade em diferenciar se aquilo que tu escreves é algo que aprendeste algures ou é a tua experiência.
Fechei os olhos e permaneci um pouco assim. A minha atenção virou-se para o sabor e temperatura na língua (tinha acabado de beber café), um prazeroso formigueiro nos pés devido a estar a senti-los descalços nos mosaicos do chão frio, e a leve pressão do peso do corpo sobre os ante-braços pousados na mesa. De olhos fechados tinha esta percepção de eu, composta principalmente por estes três grupos de sensações dentro do corpo, e que me faziam também ter uma leve sensação de presença ou volume do que é o meu corpo, pelo menos a sensação dos pés e as sensações na língua faziam-me ter a percepção do comprimento do mesmo, que de certa forma "existo" desde os pés à cabeça. Ao mesmo tempo tenho uma leve sensação de observador, de "algo", talvez situado atrás dos olhos, que "olha" o resto do corpo e estas sensações que descrevi. Reparo que se tento focar a atenção nesta "coisa que olha" começo a sentir as delimitações físicas da minha cabeça, umas subtis sensações de formigueiro na face, no coro cabeludo, no cérebro (algures dentro do crânio, mais no topo da cabeça), na nuca, e que se volto a atenção para as sensações no corpo começo a perder a sensação desta "coisa que olha" e como que esse foco de atenção começa a descer aos poucos o corpo, primeiro a garganta/pescoço, depois as costas que estão a tocar a cadeira, depois as pernas, depois o tal formigueiro nos pés a tocar o chão frio que descrevi à pouco, etc. Acho que esta a descrição de "eu dentro do corpo" unicamente através da experiência que consigo fazer para responder à tua questão.Existe um eu dentro do corpo?
Existe um eu que controla o corpo?
Se subtrairmos os pensamentos que "intelectualizam" a experiência (ex: "devido a estar a senti-los descalços nos mosaicos do chão frio", "tinha acabado de beber café"), e o nomear de partes do corpo (porque "língua, pés, ante-braços, olhos, cabeça" são palavras aprendidas e não são a experiência em si...) é possível afirmar que, com os olhos fechados, a experiência a que chamamos corpo é = sensações?Fechei os olhos e permaneci um pouco assim. A minha atenção virou-se para o sabor e temperatura na língua (tinha acabado de beber café), um prazeroso formigueiro nos pés devido a estar a senti-los descalços nos mosaicos do chão frio, e a leve pressão do peso do corpo sobre os ante-braços pousados na mesa. De olhos fechados tinha esta percepção de eu, composta principalmente por estes três grupos de sensações dentro do corpo, e que me faziam também ter uma leve sensação de presença ou volume do que é o meu corpo, pelo menos a sensação dos pés e as sensações na língua faziam-me ter a percepção do comprimento do mesmo, que de certa forma "existo" desde os pés à cabeça.
Lendo o que escreveste a impressão que tenho é que não encontraste um eu a observar a experiência, apesar de teres olhado (olhar = usar o sentidos) para os sítios onde parecia que esse eu estava. Foi isso que aconteceu?Ao mesmo tempo tenho uma leve sensação de observador, de "algo", talvez situado atrás dos olhos, que "olha" o resto do corpo e estas sensações que descrevi. Reparo que se tento focar a atenção nesta "coisa que olha" começo a sentir as delimitações físicas da minha cabeça, umas subtis sensações de formigueiro na face, no coro cabeludo, no cérebro (algures dentro do crânio, mais no topo da cabeça), na nuca, e que se volto a atenção para as sensações no corpo começo a perder a sensação desta "coisa que olha" e como que esse foco de atenção começa a descer aos poucos o corpo, primeiro a garganta/pescoço, depois as costas que estão a tocar a cadeira, depois as pernas, depois o tal formigueiro nos pés a tocar o chão frio que descrevi à pouco, etc. Acho que esta a descrição de "eu dentro do corpo" unicamente através da experiência que consigo fazer para responder à tua questão.
Users browsing this forum: No registered users and 82 guests