Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

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Riktam
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Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Tue Jul 16, 2013 1:08 am

Olá, Liber.


Por favor, leia as instruções e o "disclaimer" na página indicada abaixo, em inglês. Se tiver dúvida sobre algum ponto, pode me solicitar esclarecimentos:

viewtopic.php?f=16&t=221

Solicito também consultar a página abaixo com as instruções para uso da "Quote function", ela vai ser bastante útil quando você quiser citar algum trecho de uma mensagem anterior:

viewtopic.php?f=4&t=660

Feito isso, por favor, confirme que está de acordo com as seguintes premissas para tornar este processo o mais efetivo possível:

1. Você concorda em postar no fórum pelo menos uma vez por dia, mesmo que eu não tenha respondido à sua última postagem. Os sentimentos, assim como a compreensão evoluem a cada dia, e novos insights podem aparecer desde a última vez que você escreveu;

2. Eu farei perguntas que levarão à sua investigação e consequente resposta;

3. Quando responder ou relatar algo, por favor seja totalmente honesto;

4. Quando responder, por favor responda a partir de sua experiência direta (sensações e pensamentos observados). Longas análises filosóficas não são necessárias e podem inclusive criar obstáculos ao processo;

5. Deixe de lado por um tempo todos os demais ensinamentos, filosofias e crenças para o bem desta investigação. Coloque todo o seu esforço e atenção em visualizar a realidade como ela é;

OBS: A premissa nº 4 é muito importante neste processo.


Em seguida, por favor descreva brevemente sua experiência, como chegou até aqui e faça uma lista com as suas expectativas em relação à conclusão deste processo.


Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Thu Jul 18, 2013 5:51 am

Oi Riktam, tudo bem?

Peço desculpas pela demora. Nesses últimos 2 dias fiquei sem acesso à internet pois não voltei pra casa. Tive de ficar na universidade, estive muito atarefado. Embora não seja muito comum eu ficar tanto tempo distante, esporadicamente acaba ocorrendo por conta de algum compromisso.

Portanto, estou de acordo com os termos, mas posso ter alguma dificuldade em cumprir 100% o item 1. Peço que releve, se possível.

Bom, prosseguindo, vou contar um pouco sobre minha experiência.

Tenho 27 anos, sou estudante universitário, curso artes. Embora desde, mais ou menos, meus 14 anos eu venha buscando conexões espirituais, considero que o que me trouxe até aqui começou há 3 anos atrás, em 2010, quando comecei a estudar filosofia. Neste período fui apresentado a diversos questionamentos sobre o ser, a partir de abordagens que para mim eram desconhecidas. Gradualmente, a partir dessa experiência, foi despertando em mim a necessidade de investigar com mais profundidade esse universo do ser, do ego, da dualidade, da alteridade, etc. Até que, aos fins de 2011, conheci o budismo. Desde então venho meditando e buscando esse estado de percepção da não dualidade, mas encontrando certa dificuldade, provavelmente por não ter orientação no processo, já que optei não seguir e/ou frequentar nenhuma instituição. Na verdade, em alguns momentos do dia, tenho alguns insights, mas ainda tenho receio em valida-los como legítimos. Atualmente estudo artes e percebo que são muito diferentes os resultados quando, durante o processo de criação, deixo-me levar pelo ato mecânico e quando permito que o pensamento atue. Sinto que quando não penso no movimento, quando apenas o faço, ele resulta em um traço perfeito, como se, de fato, meu corpo servisse de fluxo para que a ideia caótica da imagem que quero figurar seja acessada no cosmo e trazida à linguagem visual. Acredito que este é um resultado deste período que venho meditando e experimentando a possibilidade de diminuir a atividade mental. Conheci a Liberation Unleashed através do Facebook e me atraí pela possibilidade de poder certificar pela experiência que é realidade o que até agora tem sido uma crença, um achismo fundamentado por leituras.
Logo, minha expectativa com o processo é somente uma: ver as coisas como realmente são, pra que eu me certifique e me desiluda.

Abraços,
Liber.

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Thu Jul 18, 2013 3:36 pm

Olá Liber, bom dia.

Obrigado pelas respostas e pela introdução sobre a sua experiência.

estou de acordo com os termos, mas posso ter alguma dificuldade em cumprir 100% o item 1. Peço que releve, se possível.

O importante em relação ao item 1 (e também o 5) é que durante o processo você fique "conectado".
Quando precisar se ausentar e for ficar sem acesso me avise, isso pode acontecer também comigo (posso viajar) e nesse caso também vou avisá-lo.

Há uma alternativa caso você tenha um telefone Android: instalar o Tapatalk Community Reader (R$ 6,49 no Google Play), ele permite ler e postar no forum diretamente do celular.

Caso não seja possível, recomendo que você tenha consigo um caderno e, durante o tempo em que estiver sem acesso escreva pelo menos uma vez por dia os sentimentos e descobertas que vêm acontecendo. Quando retornar à internet você posta um resumo do que escreveu;

Atualmente estudo artes e percebo que são muito diferentes os resultados quando, durante o processo de criação, deixo-me levar pelo ato mecânico e quando permito que o pensamento atue. Sinto que quando não penso no movimento, quando apenas o faço, ele resulta em um traço perfeito.

É muito bom que você já tenha se apercebido disso, vai ajudar bastante.

Conheci a Liberation Unleashed através do Facebook e me atraí pela possibilidade de poder certificar pela experiência que é realidade o que até agora tem sido uma crença, um achismo fundamentado por leituras.
Logo, minha expectativa com o processo é somente uma: ver as coisas como realmente são, pra que eu me certifique e me desiluda.

OK quanto à sua expectativa, e "ver as coisas como são" pode levá-lo a outras experiências interessantes mas não há como prevê-las aqui.

Estamos entrando num terreno que está além da mente e, definitivamente neste processo, a mente não terá nenhuma outra utilidade além de facilitar nossa comunicação. Durante nossas mensagens, toda vez que perceber que suas respostas trazem um formato de dedução ou filosófico, vou chamar sua atenção, terei que ser insistente neste ponto (premissa 4) e desde já peço que compreenda.

Dito isso, vamos à primeira investigação. Por favor, responda a partir de sua experiência neste momento, sem recorrer ao que você já leu ou entendeu anteriormente:

Que sensações, pensamentos e emoções afloram se eu disser que não há nenhum "você" (ou "Liber") de forma alguma, nunca houve e nem nunca poderá haver?

Aguardo sua resposta. Abraços.
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Thu Jul 18, 2013 4:09 pm

Riktam, boa tarde.

Vou seguir sua recomendação em manter comigo um caderno para anotações e avisarei com antecedência qualquer ausência sempre que possível.

Que sensações, pensamentos e emoções afloram se eu disser que não há nenhum "você" (ou "Liber") de forma alguma, nunca houve e nem nunca poderá haver?
O sentimento é de estranhamento. É complicado crer na inexistência de uma "realidade" a qual convivo. O sentimento é, basicamente, de negação da possibilidade da afirmação ser verdadeira. Ou seja, embora a predisposição seja a de crer (ou de ver), automaticamente a mente olha ao redor e para si mesmo e atesta sua "existência".

Abraços.

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Thu Jul 18, 2013 7:58 pm

Olá Liber,

É perfeitamente normal o estranhamento e a resistência á idéia da não-existência do "eu".
Mas vamos esclarecer alguns pontos da afirmação:
- O seu corpo, assim como o meu e de todas as pessoas que nos cercam são reais;
- Os sons das vozes que ouvimos são reais;
- Os padrões de comportamento de cada entidade que nos cerca são reais, assim como o som de um violino (que é real) difere do som de um piano (que também é real);
- O que é visto quando você "olha ao redor" existe.
Então, o que é que está sendo afirmado como sendo uma ilusão?
A idéia ou rótulo "Liber", que nas construções do idioma também é chamado de "eu", "você" ou "ele" não passa de um rótulo, um conceito, um nome, um pensamento, e devido à nossa linguagem e ao que somos ensinados desde o início, ele é tomado como sendo o seu próprio ser. O rótulo não é real, assim como uma placa que diz "Ponte Rio-Niterói" não é a ponte.
Por exemplo: existe "sociedade", ou é apenas um conceito? Você consegue tocar sua mão na "sociedade"?
E "mente", existe ou é só um conceito? Os pensamentos existem, pois são "ouvidos", mas "mente" existe como algo concreto?
Assumimos o rótulo como verdadeiro e depois começamos a atribuir características a ele: "eu sou inteligente", "eu sou tímido", "eu sou preguiçoso", "eu sou bom de matemática"... etc. etc. etc. Construímos uma imagem em volta do rótulo e sofremos a cada vez que algo ou alguém desafia ou coloca em xeque a imagem construída.
Mas como eu disse na última mensagem, não adianta compreender esses conceitos, eles têm que ser vistos, experienciados para que a libertação da ilusão aconteça.
Daqui para a frente vamos questionar essa existência, testando através da experiência direta (no aqui-agora) diversas ações que atribuímos a "nós mesmos", e ver por nós mesmos se essa idéia se comprova verdadeira alguma vez.

Então vamos à próxima pergunta.
Como combinamos, não use conceitos anteriores, procure "ver" a resposta agora:

A palavra "Eu" se refere exatamente a que?

Responda quando não restarem mais dúvidas, ou exponha-as.

Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Sat Jul 20, 2013 2:28 am

Oi Riktam. Boa noite!

Sigo a mensagem com as minhas considerações.
Então, o que é que está sendo afirmado como sendo uma ilusão?
A idéia ou rótulo "Liber", que nas construções do idioma também é chamado de "eu", "você" ou "ele" não passa de um rótulo, um conceito, um nome, um pensamento, e devido à nossa linguagem e ao que somos ensinados desde o início, ele é tomado como sendo o seu próprio ser.
Acho que compreendi. O que você quer dizer é que o objeto existe, o que é ilusão é atribuir ao seu nome um ser, certo?

A palavra "Eu" se refere exatamente a que?
Quando aponto para mim mesmo e digo "eu", estou resumindo o conjunto de características, a minha configuração física, a maneira como penso, como ajo, à uma palavra. Se refere à uma unidade, que é formada por diversas características. Eu sou uma "personalidade".


Abraços,
Liber.

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Sat Jul 20, 2013 4:03 am

Liber, boa noite.

Obrigado pela resposta.
Acho que compreendi. O que você quer dizer é que o objeto existe, o que é ilusão é atribuir ao seu nome um ser, certo?
Exato, ninguém está afirmando que o mundo físico seja irreal, e eu incluí esse esclarecimento devido à sua resposta anterior: "automaticamente a mente olha ao redor e para si mesmo e atesta sua "existência" porque quando você olha ao redor vê o mundo físico, e não o que você chamou abaixo de "personalidade". Acho que isso foi entendido.

Você já deve estar percebendo que a metodologia adotada aqui é puramente de investigação, executada por você mesmo. Meu papel aqui é apenas de guiar essa investigação.
Nas próximas mensagens vamos investigar nossas crenças em detalhes.
Quando aponto para mim mesmo e digo "eu", estou resumindo o conjunto de características, a minha configuração física, a maneira como penso, como ajo, à uma palavra. Se refere à uma unidade, que é formada por diversas características.
Neste primeiro trecho, note, você está confirmando que "eu" é uma palavra que foi criada para se referir a uma forma e a um padrão de comportamento. Você não está atribuindo o nome a uma entidade, um ser. Comece a perceber a diferença.
Eu sou uma "personalidade".
Aqui você está se definindo como uma personalidade. Pergunto: "personalidade" é algo real, concreto, ou apenas um conceito?
Você é um conceito?

Percebe que intuitivamente você já vislumbra o que estamos tentando mostrar aqui? Você consegue, com honestidade, dar uma outra resposta que relacione a palavra "eu" a algo concreto além de seu corpo? E o "eu" é um corpo?
Reflita um pouquinho sobre isso e me responda o que essa reflexão trouxe para você.


Aguardo sua resposta.

Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Sun Jul 21, 2013 9:47 am

Oi Riktam.

Bom, vamos lá...

Aqui você está se definindo como uma personalidade. Pergunto: "personalidade" é algo real, concreto, ou apenas um conceito?
Bom, essa é uma questão complicada. Eu poderia dizer que a personalidade não é concreta, mas é real, considerando que a vejo manifesta através das pessoas, ou seja, consigo distinguir o tipo de personalidade das pessoas através de seus comportamentos.
Você é um conceito?
Acredito que eu não seja só um conceito, quer dizer, "eu" sim, mas eu não.
Percebe que intuitivamente você já vislumbra o que estamos tentando mostrar aqui?
Sim. E, sinceramente, estou dando respostas a partir do pensamento, porém tentando usar a lógica a partir da observação. Ainda assim não posso renegar que muitas coisas conheço na teoria. Tenho receio de que este conhecimento prévio possa interferir, mesmo que subjetivamente.
Você consegue, com honestidade, dar uma outra resposta que relacione a palavra "eu" a algo concreto além de seu corpo?
Concreto não, mas isso exclui a existência, ou realidade? Fica minha dúvida: o parâmetro que vc está usando para real é ser concreto? Se sim, ou seja, se o abstrato não é real (pelo menos no tema que estamos abordando), então, nesse caso concluo que eu e personalidade não existem.
E o "eu" é um corpo?
Não saberia te responder... A princípio esse é o eu que eu conheço (o corpo).

Riktam, tenho uma dúvida: Ao fim desse processo eu terei percebido a Verdade logicamente ou através da experiência?

Abraços!

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Mon Jul 22, 2013 1:16 am

Olá Liber,

Estamos avançando em nossa investigação. Vamos em frente.

Sim. E, sinceramente, estou dando respostas a partir do pensamento, porém tentando usar a lógica a partir da observação. Ainda assim não posso renegar que muitas coisas conheço na teoria. Tenho receio de que este conhecimento prévio possa interferir, mesmo que subjetivamente.

Riktam, tenho uma dúvida: Ao fim desse processo eu terei percebido a Verdade logicamente ou através da experiência?

Essa abordagem é a mais importante desse processo. Aqui o que vale, e só o que vale, é o que chamamos de "experiência direta". A compreensão lógica e intelectual não vão servir, pois o que estamos tratando é algo que está além da mente. Aliás posso lhe adiantar que a Verdade nunca poderá ser totalmente compreendida intelectualmente, mas ela pode ser vivida, experimentada. E quando isso acontece as explicações tornam-se totalmente desnecessárias, irrelevantes. Tudo que a gente ouve ou lê quando estuda o material disponível sobre não-dualidade são ponteiros, inidicadores. A verdade não pode ser descrita. Se pudesse aliás, nós nem precisaríamos estar aqui, bastaria pesquisar nos milhares de livros e sites sobre este assunto.
A Verdade é viva, e o conhecimento é morto, vem do passado. Só existe vida no aqui-agora.
Mas não tenha "receio", vamos praticar a experiência direta e logo você vai poder discernir o que vem dela, ou da mente.

Eu poderia dizer que a personalidade não é concreta, mas é real, considerando que a vejo manifesta através das pessoas, ou seja, consigo distinguir o tipo de personalidade das pessoas através de seus comportamentos.

Concreto não, mas isso exclui a existência, ou realidade? Fica minha dúvida: o parâmetro que vc está usando para real é ser concreto? Se sim, ou seja, se o abstrato não é real (pelo menos no tema que estamos abordando), então, nesse caso concluo que eu e personalidade não existem.

Vejo que há algumas dúvidas quanto ao termo "concreto".
No dicionário Houaiss: "ligado à realidade, ao que é palpável, ao que pode ser captado pelos sentidos". Acrescento aqui o que pode ser detectado pelos sentidos com a ajuda de algum instrumento, tal como as ondas eletromagnéticas, luz ultravioleta, ultrassom, etc., e também pensamentos e sentimentos, que são detectados pelo cérebro e pelo corpo, respectivamente.

O que eu quero chamar a atenção é para a nossa tendência de considerar palavras que são puramente conceituais como parte da realidade. Alguns exemplos:

"Sociedade" existe? Você consegue colocar sua mão na sociedade?
"Universidade" existe? Ou o que existem são os prédios, os professores, alunos e materiais?
"Multidão" existe? Ou o que existe são pessoas aglomeradas?
"Personalidade" existe? Ou o que existem são determinadas formas de reação que se repetem dependendo do tipo de estímulo (e que às vezes somos pegos de surpresa por termos reações diferentes das habituais)?

Isso é importante discernir porque, como você vai perceber mais adiante, o "eu" faz parte desse grupo. É apenas um recurso de linguagem, que tomamos como real, como um personagem.

Acredito que eu não seja só um conceito, quer dizer, "eu" sim, mas eu não.

Aqui você quer dizer que o "eu" com aspas é o "eu" dual, separado da existência, e o eu sem aspas é você enquanto um ser que vive? Se é isto, então você compreendeu a diferença.


Liber, até este ponto estávamos fixando e também questionando alguns conceitos.
A partir de agora vamos começar a investigação principal e vamos propor alguns exercícios. É importante que você os realize com seriedade (do jeito que foi solicitado) e responda com honestidade sempre a partir da experiência direta, isto é, sem recorrer a conceitos anteriores ou deduções, o que também poderia ser chamado de "experiência imediata".
Peço que compreenda que, caso eu perceba alguma intelectualidade nas suas respostas, eu provavelmente pedirei que você refaça o exercício ou reconstrua a resposta.

Então vamos lá:

Primeiro, coloque uma música agradável pata tocar e escute. Deixe-se envolver pela música. Enquanto está ouvindo, sem recorrer aos conceitos que temos, você consegue perceber "alguém" ouvindo, ou simplesmente a audição existe? Examine honestamente, sem analisar.
Em seguida, vá até uma janela e observe a paisagem, o cenário, sem dar nome aos objetos que vê. Enquanto está olhando, você percebe "alguém" olhando? Sente alguma separação entre o que é visto e o que vê?

Depois me escreva.

Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Mon Jul 22, 2013 8:22 am

Riktam, boa noite!

Obrigado pelos esclarecimentos!
Aqui você quer dizer que o "eu" com aspas é o "eu" dual, separado da existência, e o eu sem aspas é você enquanto um ser que vive? Se é isto, então você compreendeu a diferença.
Sim, era isso mesmo que eu queria dizer.

Quanto ao exercício proposto, tenho algumas observações. Vamos lá...
Primeiro, coloque uma música agradável pata tocar e escute. Deixe-se envolver pela música. Enquanto está ouvindo, sem recorrer aos conceitos que temos, você consegue perceber "alguém" ouvindo, ou simplesmente a audição existe? Examine honestamente, sem analisar.
Em seguida, vá até uma janela e observe a paisagem, o cenário, sem dar nome aos objetos que vê. Enquanto está olhando, você percebe "alguém" olhando? Sente alguma separação entre o que é visto e o que vê?
Tive impressões diferentes em cada uma das atividades. Ao ouvir a música, não pude perceber que "alguém" a ouvia. Simplesmente o som acontecia nos ouvidos. Como não posso controlar o fluxo da audição, ou seja, não posso interromper o som de entrar, a sensação de que não há "alguém" é ainda mais presente. Já ao olhar a paisagem foi diferente. Consegui me deixar absorver totalmente pelo som, mas não pela imagem. A cada piscar de olhos, a cada vez que me percebia no espaço pela visão periférica, "lembrava" que havia um observador. Porém, quando fixava o olhar, sem pensar, então aquele era só um momento, sem separação. O que pude concluir nessa atividade (principalmente a da imagem, que não foi linear) é que não importa se há esse "eu" observador. Quando estou com o olhar fixo (ou a audição fluida), sem julgamentos, esse é um momento singular, ganha vida própria. É como se esse momento fosse, em si, um ser.

Espero não estar sendo filosófico demais nesse momento, mas gostaria de ir mais além quando digo que o momento é "singular". O que observei é que, devido ao cenário estar sempre em movimento e até eu mesmo, ou seja, meu corpo movimentando-se no espaço, olhando para o mesmo objeto de distâncias e ângulos diferentes, cada experiência de olhar sem pensar se fazia num ser único, irrepetível. Não diria que nesse momento o "eu" fosse inexistente, mas que não tinha vida sozinho. Dependia da relação observador/objeto pra existir como uma coisa só, como momento.


Abraços.

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Mon Jul 22, 2013 5:59 pm

Liber, excelente!

Estou no trabalho agora e à noite vou escrever com mais detalhes sobre esta experiência.
Por ora, apenas peço que observe:
A cada piscar de olhos, a cada vez que me percebia no espaço pela visão periférica, "lembrava" que havia um observador.
Por favor, volte à janela e veja que as pálpebras se abrindo e fechando, a visão periférica, e a própria moldura da janela são partes integrantes da paisagem, do movimento, do que é visto. Porque são.
Sem o hábito de associar a percepção de partes do seu corpo a alguém.
E então, o que sente?

Até mais tarde, abraços.
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Tue Jul 23, 2013 1:56 am

Liber, boa noite.

Não acho que você esteja sendo filosófico demais, sua resposta descreve o que você sentiu.
Quando estou com o olhar fixo (ou a audição fluida), sem julgamentos, esse é um momento singular, ganha vida própria. É como se esse momento fosse, em si, um ser.

O que observei é que, devido ao cenário estar sempre em movimento e até eu mesmo, ou seja, meu corpo movimentando-se no espaço, olhando para o mesmo objeto de distâncias e ângulos diferentes, cada experiência de olhar sem pensar se fazia num ser único, irrepetível.
É isso mesmo, quando utilizamos a experiência direta o momento é vivo, ganha vida própria. E, sim, é irrepetível. A vida verdadeira traz sempre o frescor do aqui-agora.

Para você que desenvolve artes plásticas este exercício pode ser bem mais explorado, não acha?

Não diria que nesse momento o "eu" fosse inexistente, mas que não tinha vida sozinho.

O que estamos questionando aqui é exatamente a separação. Nossa "presença" é inquestionável.

E então, você testou o que eu sugeri hoje à tarde?


Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Tue Jul 23, 2013 3:36 pm

Riktam, bom dia!

Ontem cheguei um pouco cansado e ainda com coisas a fazer, acreditei que não renderia na experiência, então preferi responder hoje pela manhã.
Por favor, volte à janela e veja que as pálpebras se abrindo e fechando, a visão periférica, e a própria moldura da janela são partes integrantes da paisagem, do movimento, do que é visto. Porque são.
Sem o hábito de associar a percepção de partes do seu corpo a alguém.
E então, o que sente?
Então, já tive essa impressão outras vezes e também realizando esse exercício. Dependendo do nível de concentração, sinto como se o corpo fosse uma capsula, não como se eu fosse o corpo, mas como se eu estivesse "dentro" dele. Mas é apenas uma impressão ainda, confesso que não consigo ter essa sensação inquestionável. Me parece que essa impressão ainda fica mais no campo da ideia.

Abraços!

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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby Riktam » Tue Jul 23, 2013 4:13 pm

Liber, bom dia.

Prosseguindo, gostaria que estendesse o exercício para os demais sentidos - olfato, paladar e tato. Não precisa ser tudo em seguida.

Sinta o aroma do ambiente em que está e observe.
Prove um suco ou uma outra bebida e observe.
Sinta a textura das roupas em contato com o corpo e observe.
Deixe-se absorver.
Sem recorrer a julgamentos, percebe alguém cheirando, degustando, sentindo?

Então, há um observador separado ou apenas as experiências acontecendo?

Abraços,
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)

Postby LiberNihilo » Wed Jul 24, 2013 4:48 am

Liber, bom dia.

Prosseguindo, gostaria que estendesse o exercício para os demais sentidos - olfato, paladar e tato. Não precisa ser tudo em seguida.

Sinta o aroma do ambiente em que está e observe.
Prove um suco ou uma outra bebida e observe.
Sinta a textura das roupas em contato com o corpo e observe.
Deixe-se absorver.
Sem recorrer a julgamentos, percebe alguém cheirando, degustando, sentindo?

Então, há um observador separado ou apenas as experiências acontecendo?

Abraços,

Oi Ricktam, boa noite.
Apenas para dar um feedback rápido, pois cheguei em casa há pouco, cansado novamente, e posso não render na experiência. Amanhã, ao acordar, vou praticar com mais concentração e mais atenção, então responderei com mais detalhes.
Mesmo assim, intuitivamente, adiantei a atividade do paladar, há pouco, no jantar. Achei que seria interessante expandir a experiência para outros sentidos. Realmente é só experiência, não há alguém que sente o sabor. O sabor acontece, eu não faço nada para senti-lo. Não há uma ação. Muito interessante!

Vou praticar mais amanhã e te respondo.

Abraços!


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